segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Subsídio da Lição 07 da Escola Dominical (Cpad)

A EXPANSÃO DO REINO DAVÍDICO
Texto Áureo: II Sm. 3.9,10 - Leitura Bíblica em Classe: II Sm. 5.6-10


Objetivo: Destacar a potencialidade e a expansão do reinado de Davi, bem como os perigos decorrentes da prosperidade material.

INTRODUÇÃO
Após ser entronizado como rei de Israel, Davi estende as fronteiras do território, resultando numa expansão expressiva. Na aula de hoje estudaremos a respeito desse crescimento, com destaque para a conquista de Jerusalém, a sede do reino. Em seguida, refletiremos a respeito do alcance desse reino bem como os perigos dele decorrente para Davi e o povo de Deus.

1. A CONQUISTA DE JERUSALÉM
A conquista de Jerusalém aconteceu provavelmente após a vitória sobre os filisteus. O domínio de Jerusalém constituiu-se num marco histórico para todo o povo hebreu. A providência divina nessa vitória é evidenciada no fato de Davi disponibilizar um exército pequeno para a batalha. Já que os jebuseus – habitantes daquela região – eram considerados imbatíveis. A descrição da cidade mostra a dificuldade para sua conquista: o norte – com uma encosta a oeste – na direção do vale do Tiropeom e o Cedorom, um muro de pedras rústicas e pesadas isolava a cidade, e de cima, os jebuseus podiam atirar pedras sobre os inimigos, o que tornava qualquer vitória sobre ela improvável. Mesmo assim Davi se apossou da fortaleza de Sião, sob as condições mais adversas. Após a conquista, os guerreiros de Davi entraram na cidade paulatinamente e subjugaram os jebuseus. Aquela cidade, situada em ponto estratégico, tornou-se a cidade de Davi. Ao decidir por aquela cidade, Davi tomou a sábia decisão de se colocar numa região neutra em relação às tribos de Israel. Esse feito possibilitou a unidade nacional representada simbolicamente pela capital, centro das atenções do povo. Logo depois da ocupação da cidade, Davi tratou se investir em sua infra-estrutura a fim de torná-la favorável à habitação do rei.

2. A EXPANSÃO DO REINO DAVÍDICO
A conquista de Jerusalém resultou na ampla expansão do reino de Israel. Ainda que, logo a principio, os filisteus investiram contra Davi, a fim de matá-lo, mas não obtiveram êxito, pois o Senhor era com ele (II Sm. 5.10,25). Os povos vizinhos de Israel reconheciam a atuação de Deus no reinado de Davi, os mensageiros do rei de Tiro, Hirão, é um exemplo (II Sm. 5.11). Por essa época a Arca da Aliança fora trazida para Jerusalém e ali permaneceu em uma tenda provisória até a construção do Templo no reinado de Salomão, o filho de Davi (I Rs. 8.1-9). A presença da Arca em Jerusalém, na sede do reinado, demarcava a importância do culto a Deus. Por essa razão, Davi e os filhos de Israel celebraram ao Senhor por ocasião da chegada da Arca (II Sm. 6.5). Essa atitude de Davi revela a importância que o rei atribuía a Deus. Nos dias atuais, no contexto materialista no qual estamos inseridos, predomina a ganância. São poucos os que ainda têm algum temor a Deus. Ao invés de tributarem em agradecimento a Deus pela expansão, os governantes ostentam a glória própria, pois como Herodes, não dão a devida glória a Deus (At. 12.23). Alguns outros, até dizem acreditar que Deus existe, mas vivem como se Ele não existisse, trata-se de uma crença meramente intelectual, destituída de obediência (Rm. 2.1-7). A expansão, seja ela coletiva ou individual, implica em grande responsabilidade. Aqueles que têm em abundância não devem olhar apenas para si mesmos, antes precisam se voltar para os outros, principalmente para os mais necessitados (I Jo. 3.17). Principalmente na cultura brasileira, já que as pesquisas comprovam que a prosperidade material, neste país, não redunda em dividendos sociais, diferentemente de alguns outros paises em que os ricos têm vergonha do acumulo exagerado de bens, por esse motivo, tratam de investir no reino de Deus e nas obras sociais.

3. OS PERIGOS DA EXPANSÃO
Fala-se muito em prosperidade nos dias atuais. Muitas igrejas fizeram da expansão e da riqueza o moto de suas mensagens. Mas a busca desenfreada pelo sucesso, fama e riqueza não garantem genuína espiritualidade. Uma igreja – ou pessoa – financeiramente próspera não necessariamente é espiritual. O Senhor Jesus repreendeu a igreja de Laodicéia pela prosperidade destituída de espiritualidade (Ap. 3.14-22). Os momentos de expansão foram sempre os mais perigosos na história de Israel e da Igreja. A romanização da igreja é um exemplo que não deve ser seguido. A fim de ganhar território e expandir suas fronteiras a igreja fez concessões que puseram em risco sua integridade. A biografia de Davi revela essa verdade, pois mesmo sendo um grande rei, juiz e general, não esteve imune às tentações que envolvem o sucesso. Há um sábio provérbio que diz: “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Na mesma medida em que Davi expandia as fronteiras de Israel - também cometia os maiores deslizes espirituais. Acumulou várias esposas e com cada uma delas teve filhos que se digladiavam na ânsia pelo poder e luxúria (II Sm. 3.2; 13.1-4). Dentro de casa Davi não conseguia ser um bom pai, pois não contrariava os filhos, de modo que esses se voltaram contra ele (II Sm. 15.13,14; I Rs. 1.5-6). A expansão levou Davi à monotonia e às práticas de lazer que o conduziram aos desejos descontrolados (II Sm. 11.2-17).

CONCLUSÃO
A coroação de Davi possibilitou uma expansão sem precedentes na história do povo de Israel: de 24.000 para 240.000 Km². A conquista de Jerusalém foi o marco inicial do período áureo do reino davídico. Os cristãos esperam pela manifestação da Jerusalém espiritual, que virá de cima, em estado eterno (Gl. 4.25,26; Ap. 21.1,2). A expansão, o crescimento e a prosperidade no tempo presente não devem anular a esperança do que está por vir, pois “como está escrito: as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (I Co. 2.9).

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Subsídio da Lição 04 da Escola Dominical (Cpad)

DAVI E O TEMPO DE DEUS EM SUA VIDA
Texto Áureo: I Sm. 24.6 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 24.4-8

Objetivo: Mostrar que mesmo estando ungido a mando do Senhor para ser o rei, Davi soube esperar o tempo de Deus para ocupar o trono de Israel.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje veremos que Davi, mesmo tendo sido ungido rei e sob as ameaças de Saul, não perdeu a esperança no Senhor. Antes esperou, com paciência, a concretização do tempo de Deus em sua vida. Destacaremos, ainda nesta aula, a importância do cristão não se deixar levar pelas circunstâncias e a aprender a confiar no Senhor. Mesmo nas situações adversas, aprenderemos que Deus está no controle de tudo, portanto, temos motivos para esperar pelo tempo de Deus.

1. AS AMEAÇAS DE SAUL
O capítulo 24 de I Samuel nos apresenta um vislumbre do relacionamento crítico entre Davi e Saul. Lemos, inicialmente, que Saul perseguia e ameaçava Davi de morte a todo instante. Davi, por outro lado, mesmo tendo oportunidade, não intenta contra a vida do rei, considerando ser esse um “ungido do Senhor”. O autor do texto diz que, em certa ocasião, Davi se dirigiu a Saul, enquanto esse repousava, como se fosse matá-lo, mas em obediência ao Senhor e respeito ao rei, cortou apenas a orla do manto de Saul. Esse pedaço de tecido serviria de demonstração da vantagem que Davi teve para pôr fim à vida do rei. Mas ao invés disso, preferiu poupar-lhe, chamando-o mesmo de pai (I Sm. 24.11). Com essa atitude Davi quis mostrar a Saul que esse estava errado ao tentar matá-lo. Ao invés de agir pelo ódio, com espírito de vingança, Davi opta pela graça e a misericórdia. Ele se nega a agir a partir dos mesmos princípios que o rei. Depois desse episódio, Saul, por algum momento, ainda que tomado pela emoção, demonstra remorso das suas ameaças e tentativas de morte dirigidas a Davi (I Sm. 24.11). Saul é um modelo de alguém que não se deixa levar facilmente pelas emoções, que demonstra equilíbrio diante das situações adversas. Quando as pessoas agem desse modo, predomina sobre elas o espírito de retaliação, por conseguinte, têm dificuldade para liberar graça e perdão. Os cristãos são chamados a agir como Davi, exercitando o perdão, e, mesmo diante dos inimigos, responderem ao mal com o bem (I Sm. 24.7; Mt. 5.44; Rm. 12.14,19).

2. DAVI ESPERA O TEMPO DE DEUS
Mesmo ungido rei, demorou muito tempo até que Davi assumisse o trono de Israel. O tempo de espera, no entanto, não foi de tranqüilidade. Devido as perseguições de Saul (I Sm. 18.6-9), Davi precisou se refugiar várias vezes. Para não ser morto por Saul, esteve na escola profética de Samuel em Rama e residiu na casa dos profetas (I Sm. 19.18-20). Nessa ocasião, Davi abriu seu coração para o velho Samuel e declarou tudo quanto Saul estava lhe fazendo (I Sm. 19.18). Esse período na escola profética trouxe refrigério espiritual para Davi durante aqueles tempos de angústia. Davi também encontrou refúgio na casa do sacerdote Aimeleque, ainda que a família desse sacerdote tenha sido praticamente eliminada por causa dessa ajuda (I Sm. 21.1-9; 22.6-22). Em um dos momentos mais difíceis, Davi foi obrigado a procurar abrigo no território do inimigo (I Sm. 21.10-15; 27.1-7). Após ser descoberto pelos filisteus, que eram incitados por Saul para destruí-lo, fugiu para e escondeu-se na caverna de Adulão. Naquele local ele recebeu o conforto de sua familiar e pode revigorar-se para seguir adiante (I Sm. 22.1). Mesmo assim, a situação de Davi, diante de todas as perseguições e dificuldades, poderia levá-lo a desacreditar nas promessas de Deus. Ao invés do trono prometido, Davi somente via lutas, perseguições e dificuldades. Como José na prisão egípcia, Davi não se deixou controlar pelas circunstâncias, preferiu confiar na Palavra de Deus, e esperar com paciência pelo Senhor (Sl. 40). Isso porque tinha consciência de que Deus tinha um plano em sua vida e que Ele – ao Seu tempo - haveria de executá-lo (I Sm. 22.3).

3. ESPERE O TEMPO DO SENHOR
Os crentes em Jesus devem aprender com Davi, e tantos outros heróis da fé, a esperar com paciência o tempo de Deus para a execução de Seus desígnios. Ao invés de tomar decisões precipitadas, Davi permaneceu na presença de Deus (II Sm. 7.18). No Senhor estava a sua confiança, por isso, depositava sobre Ele os ditames das sua vida (Sl. 25.5), para obter auxílio ou proteção (Sl. 33.20), para ter vitórias sobre seus inimigos (Sl. 37.7,9,34; 52.9), para alcançar segurança em perigos iminentes (Sl. 40.1; 59.9), para encontrar refúgio quando traído ou oprimido (Sl. 62.1,5) e o perdão amoroso de Deus quando pecava (Sl. 130.5,6). Esperar é um teste de submissão para qualquer cristão, é uma demonstração de confiança em Deus. Mas é antes de tudo uma escola de aprendizado, pois na medida em que esperamos no Senhor, temos tempo para reconhecer Sua grandeza, a amadurecer na fé, a ter convicção nas coisas invisíveis (Hb. 11.1), haja vista que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6). Sábias as palavras do salmista quando diz: “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Sl. 27.14). Mesmo que a realidade tangível pareça ir de encontro às promessas de Deus, devemos continuar ouvindo a Palavra, pois a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus (Rm. 10.17). Ainda que perseguições, dificuldades e provações tentem nos assolar e o desespero queira sobrepujar a esperança, somos desafiados a direcionar palavras de encorajamento à própria alma, dizendo: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face” (Sl. 42.5,11).

CONCLUSÃO
Deus está no controle de todas as situações, Ele não nos abandonou ao acaso. Essa percepção tem sido ofuscada pelo pensamento moderno acostumado a viver no tempo- kronos, isto é, pela compulsão frenética da vida que nos impulsiona a agir, de preferência o mais rápido possível, afinal, para muito "tempo é dinheiro". Há aqueles que, como Saul, têm medo de ficar para trás, por isso, querem tirar todo proveito do tempo-kronos. O cristão, como Davi, sabe que Deus está para além do tempo-kronos (Sl. 90.4). E guiado por essa verdade, pode descansar, confiar no cumprimento exato das promessas divinas, a depender da execução da Sua vontade no tempo-kairós que Ele mesmo estabeleceu. Vivendo nessa dimensão é possível esperar com paciência no Senhor, e a permitir que Ele dirija, pelo Seu Espírito, todos os passos da existência.

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Subsídio da Lição 03 da Escola Dominical (Cpad)

DAVI NA CORTE REAL – VIVENDO COM SABEDORIA
Texto Áureo: I Sm. 18.5 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 16.18; 18.2-5, 13, 14

Objetivo: Mostrar que Deus deu a Davi unção bem como prestígio diante de Israel, e ele se conduziu com prudência na presença de seus líderes, amigos e auxiliares.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito das qualidades de Davi, dentre elas, destacaremos a sabedoria. Na verdade, de nada adianta ter muitos atributos pessoais e não saber utilizá-los adequadamente. Meditaremos, inicialmente, a respeito de como Davi fez uso de suas qualidades no palácio, principalmente da prudência, sinônimo, na lição, de sabedoria. Ao final, refletiremos a respeito da importância da sabedoria e do controle da língua nos relacionamentos pessoais.

1. AS QUALIDADES DE DAVI
Depois de ter sido rejeitado por Deus, e a conseqüente perda de apoio de Samuel, Saul ficou atordoado, e passou a precisar de ajuda, inclusive psicológica. De vez quando, conforme lemos em I Sm. 16.15-18, o rei de Israel entrava em crise e tinha perturbações mentais, o narrador bíblico declara que a causa dessas crises era um “espírito maligno, enviado por Deus” (v.15). Essa declaração, na verdade, trata-se de um hebraísmo, em outras palavras, o texto diz que Saul sofria de uma insanidade mental, proveniente da atuação diabólica, permitida por Deus. Na época, como ainda é sugerido atualmente, em alguns casos, o tratamento recomendava o uso da música. Os súditos de Saul recomendaram um músico hábil, filho de Jessé de Belém, denominado Davi (v. 16). O instrumento tocado por Davi era a lira (kinnor em hebraico), de menor porte que uma harpa comum, de modo que pudesse ser transportada com facilidade. Mas saber tocar a lira não era a única qualidade de Davi, pois de acordo com o servo que o recomendou ele era “valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença”, e principalmente, que “o Senhor era com ele” (v. 18). É possível que nem todos na igreja tenham essas mesmas qualidades, principalmente a de tocar um instrumento ou se enquadram em determinados padrões de beleza, mas é indispensável que mantenha o controle da língua, que sejam fortes e valentes na luta contra o mal, e principalmente que o Senhor seja com eles.

2. A SABEDORIA DE DAVI NO PALÁCIO
O Senhor era com Davi, por isso, ele ascende do trabalho pastoril para o serviço no palácio real. Isso aconteceu porque Saul não permitiu mais que Davi voltasse para sua terra, retendo-o no palácio real (I Sm. 18.2,5). Durante tal período Davi se portava com lealdade ao rei, ainda que esse o perseguisse. Para aliviar as adversidades em sua vida, decorrentes da inveja de Saul, Deus proveu um amigo para o jovem. Jônatas, o filho e provável herdeiro do trono, percebendo a loucura do pai, fez uma aliança de amizade com Davi. O pacto de amizade entre Davi e Jônatas serve de lição para a construção de laços duradouros ao longo da vida. Amizade sincera é cada vez mais rara, haja vista a cultura da individualidade e a busca desenfreada pela satisfação própria que leva à barganha. Jônatas esteve disposto a sacrificar-se por Davi várias vezes (I Sm. 18.4; 20.4). Diante das atitudes insanas de seu pai Saul, Jônatas defendeu seu amigo (I Sm. 19.4). Não havia sentimentos de ciúme, inveja ou mesquinhez em Jônatas. Ele era amigo de Davi, e o defendeu porque discernia as reais intenções do coração do seu amigo. Nos momentos mais difíceis Davi contou com as palavras de encorajamento de Jônatas (I Sm. 23.15,16). Por causa de sua sabedoria (prudência), Davi era amado não apenas por Jônatas, mas também por todos os servos do rei (I Sm. 18.6-7) e isso, certamente, incitava mais ainda o ciúme de Saul.

3. SABEDORIA NOS RELACIONAMENTOS
Em I Sm. 18, está escrito quatro vezes que Davi prosperou, ainda que o rei estivesse contra ele. Mas isso não importava, pois mesmo o rei estando contra Davi, o Senhor era com ele (I Sm. 18.14). Além disso, o Senhor favoreceu Davi com uma outra qualidade, fundamental diante das ameaças desequilibradas de Saul: a sabedoria (prudência). O termo hebraico para prudência (sabedoria) é sakal, que também pode ser encontrado em Pv. 10.19. Nesse versículo essa palavra está associada à pessoa que consegue manter sua boca fechada. Ao invés de se adiantar e dizer palavras fora de propósitos, Davi acatava as circunstâncias com sabedoria. Não foram fáceis as situações pelas quais aquele jovem teve de passar. Em I Sm. 18.8,9 é dito que Saul se indignava contra Davi e não o via com bons olhos. Isso quer dizer que Saul estava tomado pela inveja. Os livros sapienciais nos deixam instruções claras a respeito dos males que a inveja pode causar (Sl. 37.1; 73.3; Pv. 14.30; 27.4; Ec. 4.4; 9.6). Os religiosos entregaram Jesus conduzidos por esse sentimento (Mt. 27.18; Mc. 15.10). As primeiras perseguições aos apóstolos também decorram da inveja (At. 13.45; 17.5). Paulo orienta os cristãos para que não sejam tomados por ela (Rm. 13.13; I Co. 3.3). O cristão espiritual não segue o caminho carnal de Saul, não se deixam conduzir pela inveja. Antes se posiciona com sabedoria, mantendo o devido equilíbrio em todas as circunstâncias, não falando demais, controlando sua língua nas ocasiões mais adversas (Tg. 3.8; Pv. 10.11,20,32; 21.23; 13.3; Ef. 4.29; Mt. 12.34-37)

CONCLUSÃO
Apesar da perseguição do rei Saul, Davi prosperava em tudo o que fazia porque o Senhor era com ele. A causa do bom êxito de Davi estava nas qualidades que Deus construiu em seu caráter. A principal delas era a prudência, assumida na lição de hoje como sabedoria. Davi sabia se relacionar com as pessoas, com seus amigos, servos do palácio real, e principalmente a lidar com as crises insanas do rei Saul. A demonstração mais concreta da prudência de Davi estava no uso da língua. O jovem no palácio sabia o momento de falar e de ficar calado. Nisso consiste a sabedoria, é nessa cercania que habita a prudência (Pv. 11.12; Ec. 3.7; 15.23; 25.11).

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Subsídio da Lição 02 da Escola Dominical (Cpad)

DAVI ENFRENTA E VENCE O GIGANTE
Texto Áureo: I Sm. 17.45 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 17.43-49

Objetivo: Mostrar que o desafio de Davi a Golias, o gigante filisteu, pode representar a luta espiritual que o crente trava com o mundo, a carne e o diabo.

INTRODUÇÃO
Numa cultura dominada pela guerra, o povo de Israel teve que lidar com seus inimigos. Enfrentá-los nem sempre foi tarefa fácil, principalmente quando preferiu confiar em seus próprios meios ao invés de depender de Deus. Na aula de hoje veremos que um gigante filisteu – Golias – afrontou o povo de Deus. Veremos que quando Israel estava acuado pelo inimigo, apareceu o jovem Davi para enfrentar e vencer o gigante. Ao final da lição destacaremos o papel da confiança e fé de Davi enquanto exemplo para todos os crentes no enfrentamento dos inimigos espirituais.

1. A AFRONTA DO GIGANTE
Golias era um “campeão” nas batalhas contra os inimigos dos filisteus. Por esse motivo, como era costume da época, era escolhido para representar seu povo em combates. Destacava-se pela grande estatura, aproximadamente 2,70 m, talvez apenas Saul se aproximasse dele em altura (I Sm. 10.23). Mesmo assim esse não se atreveu a responder a afronta daquele gigante, confiante em sua força e no seu equipamento (I Sm. 17.8-11). As tropas de Israel ficaram amedrontadas quando se aproximaram de Golias (I Sm. 17.24). O jovem Davi, ao contrário dos seus compatriotas, ficou indignado ao ver a ousadia do gigante, afrontando o exército de Israel. Ele se refere àquele que é considerado um herói para o inimigo como um “incircunciso filisteu” – associa-o aos adoradores de deuses falsos, feitos pelos homens, e desconhecedor do Deus Vivo e Verdadeiro (I Sm. 17.24-27). Eliabe, o irmão de Davi, ao invés de apóiá-lo, demonstra ressentimento. O receio de seu irmão é o de perder espaço para aquele seu irmão mais jovem. Esse costuma ser um medo com o qual aqueles que se encontram em posição de poder precisam conviver (I Sm. 17.28-30). Mesmo com a insatisfação de Eliabe, Davi é levado a Saul que é informado da disposição de Davi para enfrentar o gigante. A atitude resoluta de Davi partiu da sua certeza que a afronta de Golias não era apenas contra o povo de Israel, mas contra o Deus Todo Poderoso, o Senhor dos Exércitos (I Sm. 17.31-40).

2. A VITÓRIA DE DAVI
Diante do pequeno Davi estava um Gigante, vestido com toda sua armadura (I Sm. 17.5-7). Ao ver a escolha representativa dos israelitas, Golias tomou tal opção como um insulto. Mas o filisteu não teve tempo sequer para tocar em Davi, pois fora abatido por uma pedra certeira, atirada da funda do jovem pastor (I Sm.17.49,50) Se assemelharmos essa batalha com uma luta de boxe, diríamos que ela não passou do primeiro assalto. Com o gigante prostrado por terra, Davi, seguindo os princípios de guerra, deveria concluir o trabalho, decapitando-o (I Sm. 17.50-24). As armas de Golias foram postas na tenda de Davi, como um troféu de guerra. Após a vitória, Davi recebeu de Saul o cumprimento da promessa, a filha como esposa. Davi passa a fazer parte da família real, fazendo uma aliança mais aproximada com Jonâtas, o príncipe herdeiro. Jônatas, desde cedo, reconheceu em Davi um homem vocacionado por Deus. Por isso, não mediu esforços para ajudá-lo, mesmo indo de encontro aos interesses egoístas de seu pai. Algumas lições podem ser extraídas desse episódio: 1) enfrentar gigantes é uma experiência intimidadora – lemos com entusiasmo o relato bíblico sobre a vitória de Davi, mas, no dia-a-dia, lutar contra os gigantes não é uma tarefa fácil; 2) pelejar é uma experiência solitária – ninguém mais pode assumir o posto para o qual fomos chamados, cada um de nós precisa enfrentar os “golias” que se apresentam contra nós; 3) confiar em Deus é uma necessidade – a menos que depositemos nossa fé em Deus, não conseguiremos ir muito longe, ficaremos aterrorizados pelo tamanho dos “gigantes”; e 4) vencer traz conseqüências memoráveis – as vitórias do passado devem nos impulsionar para olhar com maior bravura para o futuro.

3. A LUTA ESPIRITUAL DO CRENTE
O crente também tem seus gigantes com os quais precisa lutar e vencer. Na verdade, cada um de nós, existencialmente, enfrenta seus próprios gigantes. De modo geral, podemos destacar três gigantes: o mundo, a carne e o diabo (Ef. 2.1-3). Para tanto, é preciso estar preparado, munido não com a armadura de Saul, mas com aquela provida por Deus (Ef. 6.10,11): 1) o mundo - a palavra “mundo”, no grego, é kosmos e no Novo Testamento se refere: a) ao planeta terra (At.17:24); b) a raça humana separada de Deus (Jo.14:17); c) as coisas terrenas, como bens, riquezas e prazeres (I Jo.2:15,16); d) o sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele (II Pe.2:20). É importante entendermos que o sistema deste mundo é resultado da influência da carne e do diabo sobre os corações dos homens; 2) a carne - é a velha nature¬za que herdamos de Adão, uma natureza que se opõe a Deus e que não é capaz de fazer qualquer coisa espiritual para agradar a Deus. A natureza humana, agora contaminada, tornou-se escrava do pecado e, portanto, incapaz de agradar a Deus (Rm.8:6-8; I Co.2:14). Após a conversão passamos a conviver com duas forças antagônicas que lutam constantemente entre si: o Espírito Santo e a carne (Rm.7:14-25; Gl.5:17). Só será vitorioso neste conflito interior aquele que negar a si mesmo (Mt.16:24) e aprender a depender do Espírito Santo para mortificar a sua carne (Rm.6:3-6; Rm.8:12,13); 3) o diabo – também é conhecido por Satanás, palavra hebraica que significa “adversário”. A oposição do inimigo de Deus tem como finalidade estabelecer o seu reino em detrimento do reino de Deus. Ele dispõe de um exército de anjos caídos, mais conhecidos como demônios, para esta finalidade (Ap.12:7; Ef.6:12).

CONCLUSÃO
O exército de Israel intimidou-se com o tamanho de Golias. A presença do gigante apavorou o povo de Deus. Mas entre eles um mostrou-se ter uma fé maior que o tamanho de Golias. Davi creu na providência de Deus e na Sua aliança com Israel. Como fez Davi, também precisamos aprender a confiar no Senhor. Para vencer o mundo, a carne e o diabo, o segredo viver no Espírito de Deus. Diante de todas as adversidades da vida, não devamos dizer que o gigante é grande, mas dizer ao gigante que Deus é Grande. Essa é a lição que aprendemos com Davi na aula de hoje.

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

Subsídio da Lição 02 da Escola Dominical (Cpad)

DAVI ENFRENTA E VENCE O GIGANTE
Texto Áureo: I Sm. 17.45 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 17.43-49

Objetivo: Mostrar que o desafio de Davi a Golias, o gigante filisteu, pode representar a luta espiritual que o crente trava com o mundo, a carne e o diabo.

INTRODUÇÃO
Numa cultura dominada pela guerra, o povo de Israel teve que lidar com seus inimigos. Enfrentá-los nem sempre foi tarefa fácil, principalmente quando preferiu confiar em seus próprios meios ao invés de depender de Deus. Na aula de hoje veremos que um gigante filisteu – Golias – afrontou o povo de Deus. Veremos que quando Israel estava acuado pelo inimigo, apareceu o jovem Davi para enfrentar e vencer o gigante. Ao final da lição destacaremos o papel da confiança e fé de Davi enquanto exemplo para todos os crentes no enfrentamento dos inimigos espirituais.

1. A AFRONTA DO GIGANTE
Golias era um “campeão” nas batalhas contra os inimigos dos filisteus. Por esse motivo, como era costume da época, era escolhido para representar seu povo em combates. Destacava-se pela grande estatura, aproximadamente 2,70 m, talvez apenas Saul se aproximasse dele em altura (I Sm. 10.23). Mesmo assim esse não se atreveu a responder a afronta daquele gigante, confiante em sua força e no seu equipamento (I Sm. 17.8-11). As tropas de Israel ficaram amedrontadas quando se aproximaram de Golias (I Sm. 17.24). O jovem Davi, ao contrário dos seus compatriotas, ficou indignado ao ver a ousadia do gigante, afrontando o exército de Israel. Ele se refere àquele que é considerado um herói para o inimigo como um “incircunciso filisteu” – associa-o aos adoradores de deuses falsos, feitos pelos homens, e desconhecedor do Deus Vivo e Verdadeiro (I Sm. 17.24-27). Eliabe, o irmão de Davi, ao invés de apóiá-lo, demonstra ressentimento. O receio de seu irmão é o de perder espaço para aquele seu irmão mais jovem. Esse costuma ser um medo com o qual aqueles que se encontram em posição de poder precisam conviver (I Sm. 17.28-30). Mesmo com a insatisfação de Eliabe, Davi é levado a Saul que é informado da disposição de Davi para enfrentar o gigante. A atitude resoluta de Davi partiu da sua certeza que a afronta de Golias não era apenas contra o povo de Israel, mas contra o Deus Todo Poderoso, o Senhor dos Exércitos (I Sm. 17.31-40).

2. A VITÓRIA DE DAVI
Diante do pequeno Davi estava um Gigante, vestido com toda sua armadura (I Sm. 17.5-7). Ao ver a escolha representativa dos israelitas, Golias tomou tal opção como um insulto. Mas o filisteu não teve tempo sequer para tocar em Davi, pois fora abatido por uma pedra certeira, atirada da funda do jovem pastor (I Sm.17.49,50) Se assemelharmos essa batalha com uma luta de boxe, diríamos que ela não passou do primeiro assalto. Com o gigante prostrado por terra, Davi, seguindo os princípios de guerra, deveria concluir o trabalho, decapitando-o (I Sm. 17.50-24). As armas de Golias foram postas na tenda de Davi, como um troféu de guerra. Após a vitória, Davi recebeu de Saul o cumprimento da promessa, a filha como esposa. Davi passa a fazer parte da família real, fazendo uma aliança mais aproximada com Jonâtas, o príncipe herdeiro. Jônatas, desde cedo, reconheceu em Davi um homem vocacionado por Deus. Por isso, não mediu esforços para ajudá-lo, mesmo indo de encontro aos interesses egoístas de seu pai. Algumas lições podem ser extraídas desse episódio: 1) enfrentar gigantes é uma experiência intimidadora – lemos com entusiasmo o relato bíblico sobre a vitória de Davi, mas, no dia-a-dia, lutar contra os gigantes não é uma tarefa fácil; 2) pelejar é uma experiência solitária – ninguém mais pode assumir o posto para o qual fomos chamados, cada um de nós precisa enfrentar os “golias” que se apresentam contra nós; 3) confiar em Deus é uma necessidade – a menos que depositemos nossa fé em Deus, não conseguiremos ir muito longe, ficaremos aterrorizados pelo tamanho dos “gigantes”; e 4) vencer traz conseqüências memoráveis – as vitórias do passado devem nos impulsionar para olhar com maior bravura para o futuro.

3. A LUTA ESPIRITUAL DO CRENTE
O crente também tem seus gigantes com os quais precisa lutar e vencer. Na verdade, cada um de nós, existencialmente, enfrenta seus próprios gigantes. De modo geral, podemos destacar três gigantes: o mundo, a carne e o diabo (Ef. 2.1-3). Para tanto, é preciso estar preparado, munido não com a armadura de Saul, mas com aquela provida por Deus (Ef. 6.10,11): 1) o mundo - a palavra “mundo”, no grego, é kosmos e no Novo Testamento se refere: a) ao planeta terra (At.17:24); b) a raça humana separada de Deus (Jo.14:17); c) as coisas terrenas, como bens, riquezas e prazeres (I Jo.2:15,16); d) o sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele (II Pe.2:20). É importante entendermos que o sistema deste mundo é resultado da influência da carne e do diabo sobre os corações dos homens; 2) a carne - é a velha nature¬za que herdamos de Adão, uma natureza que se opõe a Deus e que não é capaz de fazer qualquer coisa espiritual para agradar a Deus. A natureza humana, agora contaminada, tornou-se escrava do pecado e, portanto, incapaz de agradar a Deus (Rm.8:6-8; I Co.2:14). Após a conversão passamos a conviver com duas forças antagônicas que lutam constantemente entre si: o Espírito Santo e a carne (Rm.7:14-25; Gl.5:17). Só será vitorioso neste conflito interior aquele que negar a si mesmo (Mt.16:24) e aprender a depender do Espírito Santo para mortificar a sua carne (Rm.6:3-6; Rm.8:12,13); 3) o diabo – também é conhecido por Satanás, palavra hebraica que significa “adversário”. A oposição do inimigo de Deus tem como finalidade estabelecer o seu reino em detrimento do reino de Deus. Ele dispõe de um exército de anjos caídos, mais conhecidos como demônios, para esta finalidade (Ap.12:7; Ef.6:12).

CONCLUSÃO
O exército de Israel intimidou-se com o tamanho de Golias. A presença do gigante apavorou o povo de Deus. Mas entre eles um mostrou-se ter uma fé maior que o tamanho de Golias. Davi creu na providência de Deus e na Sua aliança com Israel. Como fez Davi, também precisamos aprender a confiar no Senhor. Para vencer o mundo, a carne e o diabo, o segredo viver no Espírito de Deus. Diante de todas as adversidades da vida, não devamos dizer que o gigante é grande, mas dizer ao gigante que Deus é Grande. Essa é a lição que aprendemos com Davi na aula de hoje.

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Subsídio da Lição 01 da Escola Dominical (Cpad)

DAVI E SUA VOCAÇÃO
Texto Áureo: I Sm. 13.14 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 16.1,310-13

Objetivo: Entender as razões e o propósito de Deus da vocação de Davi a fim de cumprir seus objetivos imediatos e futuros.

INTRODUÇÃO
Ao longo dos próximos três meses estudaremos a biografia de Davi. Teremos a oportunidade, durante as aulas, de refletir a respeito da vida desse que é conhecido como um “homem segundo o coração de Deus”. Aprenderemos a respeito de suas vitórias e derrotas, e, à luz do evangelho de Cristo, poderemos extrair ensinamentos a fim de que, como Davi, estejamos também no centro do coração do Senhor. Na aula de hoje trataremos a respeito da sua vocação, contextualizaremos o tempo no qual viveu, e ao final, veremos qual o propósito de Deus em sua vocação e algumas aplicações para a nossas vidas.

1. DAVI, NO TEMPO DE DEUS
O tempo no qual Davi viveu é marcado pelo fim de uma era, a dos juizes, personalizado na figura de Samuel. O livro de Juizes termina destacando que “não havia rei em Israel” (Jz. 18.1; 19.1; 21.25). Até que o povo de Israel reclama para si, seguindo o modelo das nações vizinhas, um rei, isto é, o estabelecimento da monarquia. Ainda que a contragosto (I Sm. I Sm. 8.7,9), Samuel, debaixo da orientação divina, e em resposta à petição dos israelitas, escolheu Saul para reinar (I Sm. 9.1-10.16). Mesmo sancionando essa opção, o Senhor antecipara Israel a respeito do preço que iria pagar por tal opção (I Sm. 8.10-18). A unção de Saul, o primeiro rei de Israel, se deu através de uma cerimônia secreta (I Sm. 9.1-10.16). Posteriormente ele foi reconhecido pelo povo e aclamado como rei (I Sm. 10.17-27). Com a monarquia estabelecida, Samuel se retira de cena, e restringe-se ao ministério profético (I Sm. 12.1-5). Saul, após assumir o reinado de Israel, não se conduziu em conformidade com a Palavra de Deus, precipitou-se em seus votos (I Sm. 14.24-46) e até mesmo confrontou ao profeta de Deus (I Sm. 15.1-35) por esse motivo, fora rejeitado pelo mesmo Deus que o fez rei (I Sm. 15.10-12). Samuel, em seu embate com o rei Saul, diz que a obediência é melhor que o sacrifício, já que Saul desobedeceu intencionalmente a Deus, sob a justificativa que ofereceria sacrifícios (I Sm. 15.22-23).

2. A VOCAÇÃO DE DAVI
A escolha de Davi, para ser o rei de Israel, sucessor de Saul, está registrada em I Sm. 13.13-14. Nessa passagem lemos que o Senhor rejeitou Saul e separou um novo rei conforme o seu agrado. A razão de tal opção é que Saul, o primeiro rei de Israel, havia procedido nesciamente, pois não atentou para a Palavra do Senhor proferida através de Samuel (I Sm. 12.14). Por esse motivo o profeta do Senhor é dirigido à casa de Jessé, o belemita, que era neto de Rute e Boaz (Rt. 4.17,22) para ungir o rei que Deus havia escolhido. Seguindo o procedimento para a unção do rei, Samuel devia apanhar seu chifre de óleo sagrado para a cerimônia de unção. Mesmo que o profeta tenha se impressionado com Eliabe, o filho mais velho de Jessé, é a Davi, o mais novo que Deus havia vocacionado, pois Deus não vê como vê o homem (I Sm. 16.6-10; I Cr. 28.9). Davi se encontrava no exercício da sua responsabilidade, pastoreando as ovelhas de seu pai, talvez esquecido pelos familiares, mesmo assim o Senhor não se esqueceu dele o separou para a obra (I Sm. 16.11-13) Posteriormente, no Sl. 22.9,10, Davi testemunharia que Deus o havia escolhido desde o ventre da sua mãe. Ele é um exemplo do homem ou da mulher de Deus que tem consciência de seu chamado e de que Deus cumprirá os desígnios que estabeleceu.

3. O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO
A vocação de Davi por Deus tinha propósitos imediatos, para a sua época, bem como para um futuro distante. Naqueles tempos, o povo de Israel se encontrava numa situação de crise. Samuel, já envelhecido, constituiu a seus filhos por juizes em Israel, esses, porém, não andaram pelos caminhos do Senhor (I Sm. 8.1-3). Por esse motivo, os filhos de Israel, imitando as nações vizinhas, pediram um rei (I Sm. 8.7,9), mas esse, ainda que escolhido por Deus, procedeu nesciamente e fora substituído pelo Senhor (I Sm. 13.13-14). A vocação de Davi tinha também uma promessa, a de que no futuro viria um Rei que estabeleceria seu trono definitivo sobre Israel: Jesus, profecia se cumprirá totalmente no milênio (Lc. 22.20; Jr. 23.5,6; Ap. 19,20). Através do processo de escolha de Davi para reinar o Senhor nos instrui a respeito de determinados aspectos na vocação de um líder: 1) a espiritualidade – alguém que seja segundo o coração de Deus, que seja sensível às coisas do Senhor (II Cr. 16.9), 2) a humildade – alguém que mesmo desprezado, reconheça sua posição diante de Deus (I Sm. 16.1; Sl. 78.70; 89.20), que privilegie menos a promoção pessoal e dê maior valor à construção do caráter; e 3) a integridade – que vive em sinceridade de coração, que não depende exclusivamente das aparências (Sl. 78.71,72).

CONCLUSÃO
Davi foi um homem vocacionado a fim de desempenhar uma tarefa. Na construção dessa liderança, o Senhor trabalhou no caráter de Davi. Primeiramente através dos momentos de solidão, enquanto esse se encontrava no campo, cuidando das ovelhas do seu pai Jessé. Depois por meio da obscuridade, houve momentos que ninguém conhecia a Davi, ninguém para aplaudi-lo, ele não passava de um desconhecido na multidão. Através dos momentos de monotonia o Senhor também trabalhou o caráter daquele que seria o rei de Israel, quando esse estava fazendo as mesmas coisas, tidas por alguns como irrisórias ou de pouca utilidade. Que o Senhor nos dê sabedoria para discernir o tempo e o propósito para o Seu chamado para as nossas vidas.

BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOW, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dicionário das Unções


Unção. Nos tempos da Antiga Aliança, reis, profetas, sacerdotes e coisas (colunas, objetos, etc.) eram ungidos (Gn 31.13; Êx 30.26-30; 40.15; 1 Sm 10.1; 1 Rs 19.16; Sl 133). A unção simbolizava consagração de pessoas ou coisas ao Senhor. Mas, no Novo Testamento, Jesus afirmou, após ter lido um trecho de Isaías (61.1-2), que a profecia quanto à unção do Espírito sobre a sua vida tinha se cumprido (Lc 4.18-21). Deus o ungira, no plano espiritual, e isso em si já era o bastante para o cumprimento de sua missão na Terra (At 10.38).

O derramamento de azeite representava, antigamente, unção divina propriamente dita sobre a vida de quem ascenderia a uma posição de destaque (Nm 3.3; 1 Sm 16.13). No entanto, hoje, não é mais necessário ungir pessoas com azeite para consagração ou confirmação de seus ministérios. Basta a unção do Espírito Santo (2 Co 1.21; 1 Jo 2.20,27).

Também não é preciso ungir objetos, a fim de consagrá-los a Deus, pois o Novo Testamento menciona a unção literal somente para os enfermos (Mc 6.13), a qual deve ser aplicada pelo presbitério (Tg 5.14). O azeite, além de símbolo do Espírito Santo (Zc 4.3-6), é o ponto de contato que pode estimular a fé do doente. Mas o recebimento da cura não está relacionado com a unção, e sim com a oração da fé, em nome do Senhor: “E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará” (Tg 5.15).

Unção com óleo para os enfermos. O Senhor Jesus disse: “porão as mãos sobre os enfermos e os curarão” (Mc 16.18). E a imposição de mãos pode incluir a unção com óleo. Esta, no entanto, não é a condição primacial para a cura, que ocorre por meio da fé (Lc 8.48; 17.19). Os apóstolos não precisavam de azeite para levantar os enfermos.

Hoje, a unção para os doentes é apenas simbólica. Não deve ser aplicada ou esfregada no local da enfermidade, como fazem certos milagreiros, para depois pretensamente extrair objetos das pessoas, como pedaços de ossos, pedras, filetes com sangue ou algo parecido. Isso, na maioria dos casos, se trata de fraude; em outros, é ação do mal mesmo. Nos tempos bíblicos, o azeite era empregado diretamente nas feridas, mas apenas como remédio (Is 1.6; Lc 10.34).

Unção da loucura. Falsa unção baseada em 1 Coríntios 1.25: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”. Os espalhafatosos propagadores dessa nova unção vêem nessa passagem a justificativa para todas as aberrações que dizem e fazem. Alguns têm ministrado a “bênção do depósito celestial”. Prometem que as pessoas que tiverem fé encontrarão uma grande quantia em sua conta bancária. No entanto, como o suposto agraciado declarará isso no Imposto de Renda, haja vista não poder dizer simplesmente: “Foi Deus quem me deu”?

A expressão “loucura de Deus” foi empregada por Paulo apenas para enfatizar o quanto os seres humanos, por mais capazes que sejam, estão aquém do Todo-Poderoso. A despeito de ele ter mencionado a “fraqueza de Deus”, nenhum milagreiro inventou, ainda, a unção da fraqueza de Deus, com base no mesmo versículo.

Unção do leão. Esta tornou-se muito conhecida depois que a vocalista de certo grupo engatinhou “profeticamente” em um palco, levando milhares de fãs ao delírio. A própria cantora admitiu que andou sob a unção do Leão da Tribo de Judá, mas depois se desculpou pelo ocorrido.

Unção do reteté. Uns dizem “reteté”, e outros, “repleplé”. Ninguém sabe ao certo o que significam essas expressões onomatopaicas — que devem ter se originado de uma brincadeira de péssimo gosto com as línguas estranhas —, usadas para identificar pretensos cultos pentecostais. O termo “reteté” não consta de dicionários oficiais. Mas há quem diga que teve origem no italiano; relacionado com a culinária, significaria: “mistura”, “movimento”, “reboliço”, “festa”, “aquilo que foge da normalidade”, etc. O certo é que essa expressão esdrúxula faz o maior sucesso no meio pseudopentecostal.

Nas reuniões em que ocorre a unção do reteté, os “hinos” são apresentados em ritmos como axé, com batuques que lembram reuniões de candomblé, e muito forró. Pessoas rodopiam, correm de um lado para o outro, caem, riem, berram, etc. Não se trata apenas de meninice. Em muitos casos, existe influência maligna (cf. 1 Tm 4.1), aceita e incentivada por obreiros neófitos que não estudam as Escrituras, deixando de observar o que está escrito em 1 Coríntios 14.

Unção do riso. Falsa unção que ocorre quando um “ungido” olha para o povo e começa a dar gargalhadas, supostamente pelo poder de Deus. Pessoas uivam, como se fossem lobos. Outras caem e lançam-se umas sobre as outras, dando gargalhadas similares àquelas que só podem ser ouvidas em filmes de terror.

Unção do Santo. Este termo é bíblico (1 Jo 2.20,27) e representa a única e definitiva unção que o crente deve possuir, a unção do Espírito Santo. O cristão verdadeiro possui essa unção, não precisando de novas unções ou unções novas.

Unção dos quatro seres. Falsa unção propagada por “adoradores” que, baseando-se em Apocalipse 4, se dizem impulsionados por essa nova unção para rugir como leões, baterem os braços como águias e imitarem bezerros, nos cultos. Os que são influenciados pelo ser que tem rosto “como de homem” limitam-se a gemer e a chorar.

Esse tipo de manifestação exótica e aberrante também está associada à chamada bênção de Toronto, que já influenciou crentes da América do Norte, da Europa e também do Brasil. Várias pessoas reuniam-se em um local próximo ao aeroporto de Toronto, no Canadá, e muitas delas latiam como cães e caíam supostamente pelo Espírito e eram tomadas por risos prolongados e incontroláveis. Algumas imitavam animais, como leão, cachorro e até lagartixa.

Unção financeira. Este termo é muito usado pelos propagadores da falaciosa teologia da prosperidade. No Brasil, essa falsa unção ganhou notoriedade depois que o telepregador Morris Cerullo “profetizou” que Deus derramaria a tal unção sobre todos os que contribuíssem com R$ 900,00 para um programa de TV. A justificativa de Cerullo para estabelecer o valor foi o fato de estarmos em 2009, e nove denotar, supostamente, completude, totalidade.

Unção nova ou nova unção. Ambos os termos se referem, genericamente, a todo e qualquer tipo de novidade apresentada como sendo decorrente de uma unção, como, por exemplo: unção apostólica, financeira, extravagante, de ousadia, de conquista, de multiplicação, do riso, etc.

Unção profética. Este tipo de unção é mística, pois transforma o óleo em um elemento “mágico” para obtenção de dádivas. Segundo a Bíblia, somente o ministério está autorizado a ungir os enfermos. Tiago, ao mencionar presbíteros, referiu-se aos ministros chamados por Deus, vedando essa prática a diáconos, cooperadores e membros (Tg 5.14; cf. Mc 6.13).

Certos “ungidos” têm usado o óleo para ungir “profeticamente” casas, carros, etc., para “abençoar” pessoas e ser “abençoados” por elas. Há algum tempo, seguidores de um grupo “evangélico” resolveram, numa “atitude profética”, escalar e ungir o pico Dedo de Deus, na região serrana do Rio de Janeiro. Outros enterram garrafas ou latas de azeite em montes, a fim de tornar o produto da oliveira “poderoso”. Depois, o empregam em suas campanhas para ungir casas, carros, carteiras de trabalho, etc.

Unção, transferência de. Nome dado ao modismo pseudopentecostal pelo qual certos “ungidos” pretensamente transmitem unção uns aos outros. Segundo movimentos pseudopentecostais, para se transferir unção, é preciso estar numa dimensão mais profunda ao Espírito Santo. Os “ungidos”, então, se abraçam fortemente, podendo ficar grudados por um longo tempo. Essa transferência também ocorre quando os “ungidos” encostam as suas testas umas nas outras ou rolam pelo chão abraçados, movimentando-se violentamente.

Os defensores desse modismo afirmam que Moisés transferiu a sua unção para setenta anciãos. Na verdade, Deus usou o seu servo como um canal para dar a outros setenta homens a sua própria (de Deus) unção, como se lê em Números 11.16,17: “Então, eu descerei, e ali falarei contigo, e tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu sozinho o não leves”.

Ciro Sanches Zibordi
fonte: http://cirozibordi.blogspot.com/
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