segunda-feira, 31 de maio de 2010

Subsídio da Lição 10 da Escola Dominical (Cpad)

O VALOR DA TEMPERANÇA
Texto Áureo: Ef. 5.18 - Leitura Bíblica em Classe: Jr. 35.1-5,8,18,19.



Objetivo: Ressaltar a relevância da temperança para a igreja cristã a fim de que seus membros não se conduzam pela concupiscência da carne.

INTRODUÇÃO
Os seres humanos vivem sob a esfera do desejo. Há quem diga que a forma de vencer a tentação é, ao invés de resistir, entregar-se. O ensinamento bíblico, no entanto, instrui à temperança. Na lição de hoje, a partir do exemplo dos recabitas, estudaremos sobre a importância da temperança. Ao final, enfatizaremos a relevância desse ensinamento e dessa prática na vivência da igreja cristã.

1. A ORIGEM DOS RECABITAS
O capítulo 35 de Jeremias relata o acontecimento do reinando de Jeoaquim. Nesse período, entre 599 e 597 a. C., Jeremias testa a fidelidade dos recabitas, uma comunidade religiosa, cujo fundador havia sido Jeonadabe ben Recabe (II Rs. 10.15-31), que participara ativamente da destruição da família de Acaba (por volta de 840 a. C.) e do massacre contra os profetas de Baal. Os recabitas eram queneus (Jz. 1.16; I Cr. 2.55), e provavelmente, habitavam como nômades no deserto (I Sm. 15.6). Nos tempos de Jeremias eles habitavam as montanhas de Judá. O modo de vida deles, conforme imposto pelo seu pai Jonadabe, proibia a habitação em casas ou fazendas e a produção e o consumo de vinho. Destacamos, porém, que esse estilo de vida não havia sido imposto por Deus, mas pelos antepassados. Se as práticas dos recabitas eram certas ou erradas não vem ao caso na lição de hoje. Nem mesmo a posição de Jeremias, ao incitá-los ao consumo de vinho, sendo esse um recurso didático, isto é, uma lição que o profeta pretendia dar ao povo de Israel, através do exemplo dos recabitas. Lição essa que pode muito bem ser aplicada aos cristãos, a fim de que esses exercitem a prática espiritual da temperança.

2. RECABITAS, UM EXEMPLO DE TEMPERANÇA.
Ainda que não fosse proibido o consumo de vinho entre os judeus na época de Jeremias, os recabitas, em obediência ao seus antecipados, não aceitaram a proposta do profeta: “Mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto nos ordenou Jonadabe, nosso pai” (Jr. 35.10). Os princípios desses homens foram reconhecidos e recompensados pelo Senhor, pois serviram de instrução para os habitantes de Judá daquele tempo (Jr. 35.18,19). Isso porque a atitude dos recabitas deveria servir de exemplo para os líderes de Judá. Se o mandamento de um homem, Jeonadabe, era respeitado e obedecido pela sua família, por mais de duzentos anos, porque o povo de Judá não fazia o mesmo em relação aos princípios do Altíssimo? Se as palavras de homens eram colocadas em tal patamar, por que não as palavras do Senhor, expressas pelos profetas repetidamente? A dedicação que determinadas pessoas têm pelas tradições familiares, e mesmo por suas religiosidades, devem servir de reflexão para os cristãos, a fim de que esses possam atentar para o valor da Eterna Palavra de Deus. Somente para ilustrar, no filme Carruagens de Fogo, baseado na história real do missionário escocês Eric Liddell, mostra uma cena na qual o jovem competidor cristão se indispõe a participar de uma corrida porque essa se realizará no dia do Senhor. O líder do seu país, ao invés de criticá-lo, o elogia pela firmeza em seus princípios. O principal desafio para os cristãos, em meio a uma sociedade sem princípios, é manter os ensinamentos da Escrituras, não apenas em palavras, mas, principalmente em ações.

3. O CRISTÃO E A TEMPERANÇA
A palavra “temperança”, também traduzida por autocontrole e domínio próprio, é enkrateia no grego do Novo Testamento. Em sua forma nominal – como substantivo – aparece três vezes, em Gl. 5.22 0 para designar um dos aspectos do fruto do Espírito; At. 24.25 – quando Paulo se dirigia ao governador Felix; e II Pe. 1.6 – compondo a lista uma das listas das virtudes cristãs. Em I Co. 9.25 Paulo usa essa palavra na forma verbal para referir-se à disciplina criteriosa dos atletas em treinamento. Do mesmo modo se refere o Apóstolo, em I Co. 7.9, para ressaltar a importância de o crente ter domínio sobre os desejos sexuais. Entre os filósofos gregos, Platão e Aristóteles, essa palavra fora utilizada para descrever o ascetismo, isto é, a abstinência dos desejos. Em Rm. 8.5-9 Paulo mostra o segredo da temperança. Para esse, em consonância com Ef. 5.18, a temperança é resultado de uma vida controlada pelo Espírito. O cristão controlado pelo Espírito, anda nEle e produz o Seu fruto (Gl. 5.22). É necessário destacar que não se trata de ascetismo, pois, já nos tempos de Paulo, havia quem pregasse a total abstenção da carne e do casamento (I Tm. 4.3,4). A temperança na vida do cristão deva ser apresentada através do equilíbrio no falar (Tg. 3.2), dos desejos sexuais (I Co. 7.9; I Ts. 4.3-8), no cotidiano (I Co. 6.12-20), no uso do tempo (Lc. 12.35-48; I Ts. 5.6-8)m no domínio da mente (Rm. 13.14; Fp. 4.8).

CONCLUSÃO
Jesus é o maior exemplo de temperança para o cristão. Pois ele, muito embora tenha sido tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). Com base na experiência da tentação de Jesus, registrada em Lc. 4.1-13, podemos aprender, para o desenvolvimento da temperança, que é fundamental o contato contínuo com o Espírito Santo. A mente do cristão deva estar voltada para Deus, edificada pela Palavra do Senhor e pela oração, na prática de disciplina do domínio próprio.

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.

autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
fonte: www.subsidioebd.blogspot.com

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Subsídio da Lição 6 da Escola Dominical (Cpad)

A SOBERANIA E A AUTORIDADE DE DEUS
Texto Áureo: Rm. 9.21 - Leitura Bíblica em Classe: Jr.18.1-10.

Objetivo: Mostrar que Deus, em Sua soberania inquestionável, trata as Suas criaturas como bem lhe aprouve, portanto, devemos aprender a submetermo-nos à Sua perfeita, boa e agradável vontade.

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da soberania e autoridade de Deus. Primeiramente, analisaremos a visita de Jeremias à casa do oleiro. Essa visita servirá de instrução para que entendamos a soberania e a vontade de Deus. Ao final, destacaremos a relevância de observamos a vontade de Deus, haja vista ser essa boa, perfeita e agradável.

1. NA CASA DO OLEIRO
No capítulo 18, Jeremias recebeu uma instrução do Senhor a partir do trabalho do oleiro no manejo da argila. Essa era uma profissão bastante comum no Oriente Médio, nos tempos do Profeta. Na condução do seu trabalho, o oleiro dispunha de um par de pedra que circulavam atadas num eixo vertical; a inferior era girada pelo pé do oleiro e isto fazia com que a de cima também girasse a argila que estava no meio e recebia sua forma pelas mãos, à medida que a roda girava. Certamente Jeremias deva ter passado na casa do oleiro muitas vezes, mas, nessa ocasião especial, o Senhor lhe daria um ensinamento. O Profeta observou que, com freqüência, surgiam defeitos, fossem eles de forma, tamanho ou firmeza. Quando isto ocorria, o oleiro fazia uma massa informe do pote que estava fazendo e recomeçava sua tarefa, a fim de transformar a matério num recipiente útil. Através daquele ato, Jeremias ficou abismado com a capacidade do oleiro controlar o barro. Sem desistir, ele trabalhava o material até moldá-lo conforme seu intento. O Profeta aprendeu que Deus também tem o controle sobre o seu povo e dirige os destinos de acordo com Seus Planos (Rm. 9.19,20; 11.34). O ensinamento que aprendemos através da visita de Jeremias à casa do oleiro é que Deus também não desiste de nós. Nenhum fracasso em nossas vidas pode ser fatal, ainda que soframos as conseqüências dos pecados. Homens de Deus falharam, tais como Abraão, Moisés, Davi, Jonas e Pedro, mesmo assim, o Senhor os transformou em vasos úteis para a Sua obra.

2. A SOBERANIA E AUTORIDADE DE DEUS
Deus está no comando de todas as coisas, pois sustenta todas elas pelo Seu poder. A Confissão de fé de Westminster diz que “Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece”. A Bíblia confirma esse ensinamento ao ensinar que nenhum dos Seus planos podem ser frustrados (Jo. 42.2), e que Ele pode fazer tudo o que Lhe agrada (Sl. 115.3; 135.6) e que ninguém é capaz de resistir à Sua mão (Dn. 4.35). Tudo se encontra debaixo do Seu comando, os reis da terra (Pv. 21.1; Ap. 19.16); os acontecimentos humanos (Dn. 2,7; 4.17; Is. 55.11), os anjos de Deus (Cl. 1.16; I Rs. 22; Jo. 1.6; 2.1; Ne. 9.6; Ap. 4.18), os anjos rebeldes (Ef. 1.21; Fp. 2.10; Is. 45.22,23; I Rs. 22.19-22), e o próprio Satanás (Jô. 1.6; 2.1; Ap. 20.2). Mas isso não dispensa a doutrina bíblica do livre-arbítrio, pois Deus, soberanamente, permite que o ser humano responda à Sua vontade. Quando a Bíblia trata a respeito da predestinação, aborda-a em seu sentido coletivo, tanto em relação à Israel quanto à igreja (Ef. 1.11-13). Deus pode chamar as pessoas individualmente para o ministério, mas, para a salvação, deixa que elas decidam se querem se arrepender e crer no Filho Unigênito (Lc. 13.3; Jo. 3.16-18; 6.29; 11.40; 12.36). Somente através da fé o ser humano pode experimentar a salvação providenciada por Deus (At. 16.31; 17.30; 20.21), e essa fé, ao contrário do que afirma alguns teólogos, é nossa e não de Deus (Hb. 11.6; Rm. 3.22; 4.11,24; 10.9,14; I Co. 1.21; Gl. 3.22; Ef. 1.16; I Ts. 1.7; 4.14; I Tm. 1.16; Lc. 7.50; Rm. 4.5; Mt. 9.2).

3. SUBMETENDO-SE À VONTADE DE DEUS
Cabe ao ser humano, pela fé, responder à vontade de Deus. Por isso, Paulo, em Rm. 12.1,2, diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Em consonância com essa passagem, devemos lembrar que, “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8.28). A realização da vontade de Deus na vida do cristão, portanto, não é simplesmente uma imposição religiosa. Ela é boa, agradável e perfeita, não apenas para Deus, mas também para aquele que a observa. Por isso, há circunstância que não entendemos os propósitos de Deus, já que os pensamentos dEle nem sempre são os nossos pensamentos (Is. 55.7-9). Por essa razão, conforme instruiu Paulo aos crentes de Roma, temos a convicção que Deus está no comando de todas as coisas, mesmo aquelas que fogem de toda e qualquer compreensão. Ele está trabalhando na vida daqueles que responderam ao sacrifício de Cristo pela fé. Seu propósito maior é moldar nosso caráter a fim de que alcancemos o padrão para o qual Ele nos escolheu. Portanto, “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fp. 1.6). Que o Sábio Oleiro trabalhe em nosso caráter, ainda que, para isso, tenhamos que passar por adversidades. Alegra-nos saber que Ele, em todas as circunstâncias, está conosco, e principalmente, não desistiu de cada um de nós.

CONCLUSÃO
Deus é soberano, Ele pode tudo, e sabe o que faz. As limitações humanas não são capazes de abarcar a grandeza de Deus. Mas esse Deus grandioso, soberanamente, quer se relacionar com os seres humanos. Para tanto, deu-nos o livre-arbítrio a fim de que encolhêssemos, entre segui-lo ou rejeitá-lo. Todos aqueles que se dobram perante a vontade de Deus descobrem, surpreendentemente, que esse é o melhor lugar para permanecer. A vontade de Deus, mesmo quando incompreendida, é sempre boa, agradável e perfeita.

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte: www.subsidioebd.blogspot.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Subsídio da Lição 5 da Escola Dominical (Cpad)

O PODER DA INTERCESSÃO
Texto Áureo: I Sm. 12.23 - Leitura Bíblica em Classe: Jr.14.1-3,7,8,10; 15.1.



Objetivo: Mostrar aos alunos que orar é uma necessidade e interceder uma obrigação de todo crente.

INTRODUÇÃO
Estaremos, na aula de hoje, diante de um dos mais sublimes textos do livro do profeta Jeremias. Essa porção da Escritura alterna poesia e prosa, num diálogo vigoroso entre Deus e o profeta. No início da aula analisaremos a oração intercessória de Jeremias. Em seguida, trataremos a respeito da imediata resposta do Senhor. Ao final, compreenderemos alguns princípios cristãos para a prática da intercessão.

1. A INTERCESSÃO DE JEREMIAS
A desgraça assolaria, em breve, todo nação de Judá. Mesmo assim, o povo se negava a abandonar o pecado. Jeremias deseja interceder pelo povo, mas o Senhor, mais uma vez, adverte ao profeta da ineficácia da sua intercessão. Deus ignorará a intercessão do profeta porque o povo, premeditadamente, não se arrependerá. O Senhor acusa os falsos profetas por conduzirem Judá às falsas visões, adivinhações, vaidade e engano (Jr. 14.14). Tais falsários seriam os primeiros a sofrerem os julgamentos divinos quando a calamidade chegasse sobre a nação. Nos dias atuais, conforme nos antecipou o Senhor Jesus, existem muitos falsos profetas (Mt. 24.11; Mc. 13.22). De vez em quando aparece alguém que deseja se passar por Cristo. Dentro e fora das igrejas acumulam-se os falsos ensinadores, mestres que não atentam para a Palavra de Deus. A respeito deles, diz Judas em sua Epístola: “Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas” (v. 12,13). A filosofia da auto-ajuda tem favorecido o surgimento de vários profetas do engano. Dizem ao povo que tudo está bem, que podem encontrar saída por conta própria, e que não precisam de Deus. Ao invés de proclamarem arrependimento, induzem as pessoas a massagearem o ego, e a viverem distanciadas de Deus. Os profetas do Senhor, neste tempo, devem continuar intercedendo e pregando ao povo, conduzindo-os à sã doutrina (II Tm. 4.1-5).

2. A RESPOSTA IMEDIATA DO SENHOR
A doutrina da intercessão é bíblica e deve ser observada pela igreja. Na história de Israel, Deus ouviu a intercessão de Moisés e Samuel (Ex. 32.11-14; Nm. 14.13-24; Dt. 9.18-20; I Sm. 7.5-9; 12.19-25). No caso de Jeremias, porém, a resposta do Senhor foi negativa (Jr. 14.11; 7.16; 11.14). De nada adiantaria interceder por Judá, pois a morte, a espada, a fome e o cativeiro seria inevitável. Não porque o Senhor não desejasse, mas porque Ele sabia, pela Sua onisciência, que o povo não daria ouvidos às palavras do profeta. Mesmo a religiosidade judaica não seria capaz de deter o julgamento, pois tudo não passava de mera exterioridade. As orações, jejuns e sacrifícios serviam apenas para ocultar a ausência de temor a Deus. Em relação aos falsos profetas, se o povo tivesse conhecimento da Palavra de Deus, saberia que eles não traziam uma revelação do Senhor (Dt. 18.20-22; Jr. 13.1-18; Is. 8.20; II Ts. 2.7-12). A resposta negativa de Deus não é uma demonstração de rejeição ao Seu povo. A disciplina faz parte do processo instrutivo de Deus (Pv. 3.11-12; Hb. 12.6). Está na moda uma teologia que valoriza apenas o amor de Deus, transforma-o num vovô bonachão, que a ninguém castiga, esquecendo que Ele, além de amor (I Jo.4.8), é também fogo consumidor (Hb. 12.29) e que a Sua ira permanece sobre aqueles que não crêem em Cristo (Jo. 3.36). A falta de temor ao Senhor está construindo uma geração de cristãos insubmissos à Palavra de Deus. Como nos tempos em que não havia rei em Israel, cada um faz o que bem entende (Jz. 22.21), a ortodoxia está sendo substituída pela pura subjetividade, o experiencialismo chega a ter maior valor que a Escritura. Para essa geração, a resposta de Deus é não, pois o sim de Deus somente se encontra em Jesus Cristo, fora dele, tudo o mais é mera especulação humana (II Co. 1.20).

3. A PRÁTICA CRISTÃ DA INTERCESSÃO
Ainda que Deus tenha instruído Jeremias para que não intercedesse pelos judeus, essa, porém, deva ser uma prática rotineira entre os cristãos. Aquele, conforme destacamos anteriormente, tratou-se de uma revelação específica para o profeta. Em hebraico, o verbo palal tem o sentido de interceder, o encontramos em I Rs. 8, nesse capítulo Salomão utiliza essa palavra 20 vezes intercedendo pelo povo de Israel. Moisés intercedeu pelo povo de Israel e obteve resposta (Nm. 11.2; 21.7; Dt. 9.20; I Sm. 2.25). Samuel intercedeu pelos israelitas (I Sm. 7.5; 12.19,23), bem como Estradas (Ed. 10.1) e Daniel (Dn. 9.4). Em grego, o verbo interceder é entunchanõ e pode ser encontrado em At. 25.24. Paulo utiliza essa palavra a fim de ressaltar o ministério do Espírito a fim de responder às necessidades dos santos (Rm. 8.27). Cristo é o Exemplo Maior de Intercessor, pois, no Céu, intercede, perante Deus, em nosso favor (Rm. 8.34; Hb. 7.25). Paulo orienta a interceder – enteuxis – por todas as pessoas, apresentando-as perante Deus (I Ts. 2.1).

CONCLUSÃO
Os cristãos precisam exercitar a intercessão. Essa prática, na verdade, é uma demonstração de amor pelos outros. Quando orarmos, devemos lembrar apenas de nós mesmos, mas também daqueles que se encontram em situação de privação. Temos razões e pessoas por quem interceder: os missionários que se encontram distantes da sua pátria anunciando o evangelho de Cristo; os obreiros que amorosamente militam pela causa do evangelho; os políticos que governam para que ajam com sobriedade; as crianças abandonadas que perambulam pelas ruas; os encarcerados que pagam suas infrações perante a lei; os enfermos que agonizam nas filas dos hospitais. Todos esses, e alguns outros mais, carecem das nossas intercessões. Devemos orar, mas também agir quando for necessário, suprindo, visitando e cobrando atuações justas.

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.
autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
fonte: www.subsidioebd.blogspot.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Subsídio da Lição 3 da Escola Dominical (Cpad)

ANUNCIANDO OUSADAMENTE A PALAVRA DE DEUS
Texto Áureo: II Cr. 7.14 - Leitura Bíblica em Classe: Jr. 7.1-11.




Objetivo: Ressaltar o valor da Palavra de Deus que deva ser proclamada ousadamente aos crentes e incrédulos.

INTRODUÇÃO
O povo de Judá ia de encontro a Palavra de Deus porque depositavam toda confiança no Templo. Em oposição, Jeremias anuncia ousadamente a Palavra de Deus, ressaltando seu valor e cumprimento. Na lição de hoje, estudaremos, inicialmente, sobre a templolatria nos dias de Jeremias; em seguida, as advertências feitas pelo profeta, e, ao final, a importância do anuncio ousado da Palavra de Deus.

1. ADORAÇÃO AO TEMPLO
Para os judeus, o Templo era sacrossanto, a Casa de Deus, por isso, dificilmente seria alvo dos inimigos. Ao invés de confiar no Deus do Templo, fiavam a fé no Templo de Deus. Por causa disso, o Senhor conclama-o, através do profeta Jeremias, a emendar os caminhos e as obras (v. 3), e, ao invés de adorar o templo, deveriam confiar na Sua palavra (v. 2). O templo se tornou numa espécie de amuleto, que os livraria do mal, das ameaças dos inimigos. O povo judeu, como alguns cristãos hoje, esquecem que Deus prima por pessoas vivas para serem Seu templo (Is. 57.15; 61.1; I Co. 3.16). Jesus, ao ser indagado pela samaritana sobre o lugar da adoração, respondeu que o Senhor busca para Si adoradores, que o adorem em Espírito e em Verdade (Jo. 4.24). Não há mais lugar, na doutrina evangélica, para demarcação de espaços físicos para a adoração a Deus. Os templos são importantes e necessários à acomodação dos cristãos, para o ensino da Palavra e oração, mas não podem ser objeto de adoração. Quando isso aconteceu, entre os judeus, o Senhor os advertiu que, do mesmo modo que aconteceu com a arca, esse também seria destruído (Sl. 78.60). A oração de dedicação do Templo, de Salomão, em I Rs. 8, antecipava os judeus, para que não depositassem a fé no Templo, mas no Senhor, que não habita em templos feitos por mãos de homens. Qualquer igreja que privilegia, demasiadamente, o Templo, e esquece de proclamar ousadamente a Palavra de Deus, corre o risco de passar pela experiência do Icabode, isto é, de perder a glória do Senhor (I Sm. 4.21).

2. A ADVERTÊNCIA DO SENHOR
Havia, em Judá, uma espécie de sincretismo religioso com o qual o povo convivia naturalmente. Jovens e adultos adoravam a rainha dos céus, a deusa assírio-babilônica Istar. Ao mesmo tempo, prestavam rituais judaicos, destituídos de valor espiritual, por causa da desobediência do povo. O culto a Deus não pode ser misturado, desde o Sinai o Senhor exigiu de Israel exclusividade. Mas o pecado de Judá era tão deliberado que o Senhor orientou a Jeremias, por três vezes (7.16; 11.4; 14.11), para que não orasse por aquele povo. A idolatria de Judá tomou um caráter familiar, maridos, mulheres e filhos seguiam após os falsos deuses (Jr. 7.17-19). Quando a desobediência entra na família, dificilmente os demais membros deixam de ser afetados. As conseqüências do adultério – o culto a deusa do sexo – traz seqüelas para toda a família. A entronização do sexo na sociedade moderna está causando severos danos às famílias. Os jovens estão se iniciando irresponsavelmente cada vez mais cedo no sexo. O número de mães solteiras implica em problemas tanto de ordem espiritual quanto social. Os relacionamentos sexuais descartáveis estão objetificando as pessoas, de modo que as pessoas não mais cultivam relacionamentos duradouros, apenas “ficam”. Os casamentos deixam de ser motivados enquanto instituição divina, e, em alguns casos, deixam de ser “até que a morte os separe”. A palavra amor perdeu o sentido próprio de sacrifício e foi reduzida ao ato sexual. Mesmo entre cristãos se observa a indisposição para o sacrifício no relacionamento familiar, pois a busca pelo prazer tornou-se a única razão de ser do casamento. As pessoas não querem mais se casar para conviver “na alegria e na tristeza, na saúde e na dor”. O desafio do cristão, em meio a toda essa apostasia, é o de viver em santidade, a investir no amor genuíno – ágape – que tem sua expressão maior em Deus que deu Seu Filho Unigênito pelos pecados de todo aquele que crê (Jo. 3.16).

3. ANUNCIANDO A PALAVRA
A saída para todo esse imbróglio no qual a sociedade se encontra é retornar à Palavra de Deus. Os valores eternos revelados na Sagrada Escritura precisam novamente ser relembrados. Cabe a igreja proclamar o Evangelho de Jesus Cristo a fim de que descrentes, e mesmo os crentes, não percam o norte espiritual. Os pregadores devam se ater ao texto bíblico, pregando-o expositivamente, a fim de evitar conduzirem sua mensagem conforme seus interesses pessoais. A própria igreja precisa tomar consciência de que é serva e não senhora da Palavra. Por isso, deve estar disposta a ser avaliada continuamente à luz da Escritura. A experiência, a razão e a tradição têm o devido lugar na igreja, mas essas estão submissas à Palavra de Deus. Uma igreja centrada na experiência tende ao fanatismo, voltada para exclusivamente para a razão, finda em liberalismo teológico, e fundamentada na tradição, resulta em religiosidade humana. Somente uma igreja respaldada na Bíblia pode ser ousada no anúncio da Palavra de Deus. Um culto genuinamente evangélico não exacerba nos cânticos em detrimento do ensinamento bíblico. Infelizmente, o que se observa em determinadas igrejas é um verdadeiro descaso em relação à Bíblia. Os dirigentes de culto deixam o mínimo de tempo reservado para a pregação e o ensino. O povo, que outrora ouvia com atenção a mensagem, está agora viciando em cultos que mais parecem programas de auditório, repletos de entretenimento e acrobacias “evangélicas”. É chegado o momento de retornar à Palavra de Deus, de resgatar a exposição bíblica, outrora observada pelos pregadores evangélicos. Somente uma igreja que está atenta às Palavras do Evangelho de Jesus Cristo pode, verdadeiramente, se dizer evangélica, caso contrário, não passa de tradição humana, e, portanto, recebe o anátema de Deus (Gl. 1.9).

CONCLUSÃO
O cristianismo evangélico sofre fortes ameaças nesses últimos dias. A Palavra de Deus está sendo relegada a segundo plano. O culto cristão está repleto de atividades que visam o entretenimento, mas não consideram a exposição bíblica. Oremos ao Senhor da seara para que levante uma legião de pregadores comprometidos com o Evangelho. Que não façam concessões com a Verdade, e que não se dobrem à mera razão, tradição e/ou experiência. Esse é o desafio profético da igreja brasileira nestes últimos dias, os quais as pessoas procuram para si mestres conforme seus interesses, tendo comichão nos ouvidos para não ouvir a Palavra de Deus (II Tm. 4.1-4).

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte: www.subsidioebd.blogspot.com

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Subsídio da Lição 2 da Escola Dominical (Cpad)

Lição 02

OS PERIGOS DO DESVIO ESPIRITUAL
Texto Áureo: Jr. 2.13 - Leitura Bíblica em Classe: Jr. 2.1-7,12,13.

Objetivo: Destacar que não podemos compactuar com a apostasia, para que não venhamos a perecer em nossos pecados.

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, estudaremos a respeito do desvio espiritual de Israel. O povo de Judá deu as costas para o Deus que graciosamente o escolheu. Inicialmente, trataremos sobre o antigo amor de Israel pelo Senhor. Em seguida, enfocaremos o desvio espiritual desse povo, e, ao final, as conseqüências do distanciamento do Senhor. Esperamos que essa lição sirva de despertamento para aqueles que se encontram em situação de perigo, distanciados dos caminhos do Senhor, mesmo que tenham algum vínculo religioso.

1. O AMOR ANTIGO DE ISRAEL
Judá esqueceu do seu primeiro amor e é questionado pelo Senhor: Que injustiça acharam vossos pais em mim? (Jr. 2.4,5). Em seguida, responsabiliza os sacerdotes, que se corromperam e não ensinaram a Torá ao povo; aos governantes, os quais, seguindo o caminho dos sacerdotes, também se corromperam, e os falsos profetas, que, ao invés de buscarem ao Senhor, se envolveram com Baal, o deus cananeu da fertilidade (Jr. 2.8). O Senhor compara seu relacionamento com Judá a de um esposo traído, já que, no princípio, Israel se voltou para Deus, mas, posteriormente, seguiu seu próprio caminho, tornando-se adúltera (Jr. 31.32; Is. 54.5; Os. 2.16). A nação rompeu o relacionamento antigo de amor entre Deus e Israel. Preferiu ir após ídolos estranhos, trocando o Manancial de Águas por cisternas rotas. Por analogia, para a igreja, Jesus é a água da vida, todos os que O recebem experimentam da fonte que jorra para a vida eterna (Jo. 4.10-14; Ap. 21.6). Lembramos que, na Palestina, a água é uma possessão de valor singular, por esse motivo, seria uma loucura tomar tal atitude. É uma pena que, nestes dias, algumas igrejas estejam fazendo o mesmo. Substituem o Manancial de Vida por Cisterna Rotas que para nada servem. A espiritualidade genuína está sendo trocada pelo mero tarefismo religioso; o poder do Espírito Santo está sendo usurpado por barganhas políticas; a vocação ministerial fora transformada em profissionalização eclesiástica; e a o pastorado cristão, fundamentado no amor, conduzido via técnicas insensíveis de administração empresarial.

2. O DESVIO ESPIRITUAL DE ISRAEL
Em Jr. 2.17 encontramos a causa dos desvios espirituais de Israel, pois a desobediência do povo tornou-se intencional, a nação optou pela idolatria, do mesmo modo, os cristãos, hoje, devem buscar a retidão, para não seguir o mesmo caminho, especialmente os obreiros (I Tm. 6.11; II Tm. 2.22). Ao invés de se voltar para o Senhor, o Manancial de Águas, Judá busca subterfúgios políticos, indo após o Egito (Jr. 2.18; Is. 30.15). O cristão, ao longo do trajeto, pode ser tentado a retornar ao mundo. Mas isso se constitui num perigo espiritual, que incorre em apostasia (Hb. 6.4-6). As alianças com as nações vizinhas, na tentativa de escapar do julgamento divino, que viria através dos babilônicos, somente agravaria a situação. Ao longo da história de Israel, quando o povo se aliou aos povos vizinhos, acabou perdendo sua identidade, e se distanciado do Senhor. Na história da cristandade aconteceu o mesmo, basta citar, como exemplo, a constatinização da igreja que, ao se romanizar, acatou práticas pagãs do império, desviando-se, assim, da Palavra de Deus. Nos tempos de Jeremias, o contato direto com os cananeus afetou diretamente a espiritualidade judaica. A adoração a Baal se tornou uma prática tão comum que os judeus assumiram o culto a essa divindade como se fosse algo normal (Jr. 2.20). Jeremias responsabiliza, mais uma vez, os sacerdotes, os governantes, os pastores e os profetas por serem coniventes com a religiosidade pagã, adotada pelo povo (Jr. 2.26,27).

3. A CONSEQUÊNCIA DO DESVIO ESPIRITUAL
Como conseqüência desse desvio espiritual, Jeremias pronunciou palavras de julgamento (Jr. 2.31). Isso porque ao invés de se arrependerem e confessarem seus pecados, as pessoas rejeitaram a mensagem profética (Jr. 5.3). O Senhor lembra a sua esposa quão ricamente Ele a havia abençoado, ainda que essa agisse com atitudes rebeldes (Jr. 2.29) e O esquecido (Jr. 2.32) e mentido para Ele, dizendo ser inocente (Jr. 2.33-35). Por causa da prosperidade econômica que a nação estava usufruindo, os judeus achavam que estavam sendo abençoados por Deus. Há hoje os que confundem prosperidade financeira com benção espiritual. Na verdade, o que mais acontece é justamente o contrário, pois quanto mais próspera costuma ser uma nação, mais materialista essa se torna. Com o acúmulo de bens, o ser humano apenas tenta preencher um vazio que somente pode ser satisfeito por Deus. A Teologia da Ganância - que alguns denominam de Teologia da Prosperidade – favorece, inclusive, uma espiritualização das riquezas. As conseqüências começam já a ser percebidas na igreja evangélica mundial. A vasta maioria das igrejas que acatou tal doutrina, ainda que sejam financeiramente prósperas, perderam a genuína espiritualidade. Transformaram seus cultos em parque de diversão e os púlpitos em palcos, substituíram a pregação da Palavra e a verdadeira adoração por tristemunhos de “artistas” e acrobacias “espetaculares”, em suma, trocaram o Manancial de Águas por Cisternas Rotas.

CONCLUSÃO
Mas ainda há tempo pra se voltar para Água da Vida (Jo. 4.10-14). Somente Jesus satisfaz completamente a existência humana e oferece liberdade plena (Jo. 8.32), principalmente do deus mamom, outrora denunciado por Jesus (Mt. 6.19-24) e por Paulo (I Tm. 6.3-10) perante o qual muitos têm se prostrado nestes dias. A mensagem do Senhor para a igreja de Éfeso se aplica às igrejas evangélicas que se desviaram dos caminhos do Senhor. Em algumas delas, a ostentação das riquezas para nada servem, senão para ocultar a falta de espiritualidade. Para essas, a Palavra do Senhor é: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres (Ap. 2.4,5).

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.

autor: Pb. José Roberto a. Barbosa
fonte: www.subsidioebd.blogspot.com

quarta-feira, 31 de março de 2010

Subsídio da Lição 1 da Escola Dominical (Cpad)

JEREMIAS, O PROFETA DA ESPERANÇA
Texto Áureo: Jr. 1.7 - Leitura Bíblica em Classe: Jr. 1.1-10.



Objetivo: Mostrar que a missão do homem e da mulher de Deus é inegociável. Por serem chamados para cuidar dos interesses do Senhor, não podem se eximir da proclamação da Palavra, fazendo-o com dedicação e coragem.

INTRODUÇÃO
Nas próximas 13 semanas estudaremos a mensagem profética de Jeremias. Numa época marcada pelo desespero, Jeremias se revela, mesmo em meio ao caos, como o profeta da esperança. As lições serão as seguintes: 1) Jeremias, o profeta da esperança; 2) os perigos do desvio espiritual; 3) anunciando ousadamente a Palavra de Deus; 4) chorando aos pés do Senhor; 5) o poder da intercessão; 6) a soberania e a autoridade de Deus; 7) o cuidado com as ovelhas; 8) o poder da berdadeira profecia; 9) esperando contra a esperança; 10) o valor da temperança; 11) a excelência do ministério; 120 a opção pelo povo de Deus; e 13) esperança na lamentação. Na lição de hoje, trataremos a respeito da vocação do profeta Jeremias.

1. JEREMIAS, O LIVRO E O PROFETA
O livro de Jememias, cujo nome significa “O Senhor é Alto”, tem como tema central: a mensagem de arrependimento e retorno para o Senhor antes que o julgamento chegue. O versículo-chave se encontra em Jr. 3.22: “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos a ti; porque tu és o Senhor nosso Deus”. Ele exerceu o ministério profético entre os anos 626 a 586 a.C. Ele nasceu em Ananote, a uns cinco quilômetros, à nordeste de Jerusalém, numa família de sacerdotes. Seu livro é composto por uma coletânea de sermões pregados durante 20 anos. Como os demais profetas bíblicos, Jeremias experimentou a impopularidade em toda a sua intensidade. A mensagem de Jeremias é dramática, repletas de denuncias contra o pecado e advertências quanto ao juízo iminente. O livro não contém uma estrutura lógica, por isso, é difícil sistematiza-lo. Na tentativa de esboçá-lo, apontamos: A missão de Jeremias (1-10), a violação da aliança (11-20), a aproximação do julgamento (27-29), a nova aliança (30-33) e a queda de Jerusalém (34-42). Esse é um livro extramente pessoal, pois nele Jeremias relata sua experiência profunda com o Senhor. Jeremias é um profeta malvisto tanto pelo poder religioso quanto político da sua época. Por esse motivo, os poderosos articularem, sem sucesso, várias estratégias a fim de desqualificá-lo enquanto profeta do Senhor.

2. A VOCAÇÃO PROFÉTICA DE JEREMIAS
Ainda na juventude, por volta dos 16 a 20 anos, Jeremias foi chamado pelo Senhor para profetizar. Ele vinha de uma família sacerdotal, seu próprio pai, Hilquias, havia sido sacerdote (Jr. 1.1). Esperava-se que Jeremias, seguindo essa linhagem, também viesse servir diante do altar. Mas o Senhor o chamou para ser profeta, e provavelmente, Jeremias sabia da responsabilidade imposta, por isso, evitou acatar essa vocação de imediato. Ser sacerdote é bem mais cômodo do que ser profeta. O ministério sacerdotal costuma ser previsível, pois o sacerdote precisa apenas cumprir os rituais do culto. Mas o profeta jamais sabe o que o Senhor vai colocar na sua boca, o que terá de anunciar. O sacerdote costuma estar preocupado com o passado, para que as tradições sejam preservadas. O profeta, por sua vez, se volta para o futuro, a fim de conduzir o povo para a direção correta. O sacerdote costuma se voltar para as práticas exteriores, enquanto que o profeta se dedica a levar o povo à transformação interna, das intenções do coração. O profeta, como aconteceu com Jeremias, não fala de si mesmo, mas da Palavra do Senhor que a ele vem (Jr. 1.2). O Senhor testemunhou que o havia escolhido ainda no ventre da sua mãe (v. 5) para o ministério profético. Por isso, ainda que ele relutasse (v. 6,7), não havia outra opção senão dobrar-se perante a Palavra do Senhor. Jeremias estava temeroso por causa da responsabilidade profética, o Senhor, contudo, o advertiu para que não tivesse medo. Esse sentimento pode levar as pessoas a deixarem de assumir as atitudes necessárias. Quantas pessoas não ficam paralizadas devido ao medo de que algo de mal venha a acontecer? Não temas Jeremias, disse o Senhor ao profeta. Essa mesma mensagem se aplica aos cristãos temerosos de hoje, que hesitam em se posicionar em conformidade com a Palavra de Deus, com receio de serem politicamente incorretos.

3. A POSTURA PROFÉTICA DE JEREMIAS
O Senhor se dirigiu Jeremias do mesmo modo que o fez com Josué (Dt. 31.6-8; Js. 1.6-9), anulando seu medo paralizante (Jr. 1.17-19). Esse receio é destruído por meio da fé, sem qual ninguém se posicionar profeticamente, o que também se constitui em pecado (Rm. 14.23). O cristão recebe, do Senhor, a direção para que permaneça firme (Ef. 6.14). Deus prometeu estar presente com ele em todas as circunstâncias, mesmo diante das mais adversas (Jr. 1.8). A vitória espiritual, portanto, não vem do homem, mas de Deus. Não podemos alegar limitações pessoais para desempenhar o ministério profético (Jr. 1.19). Sendo assim, o profeta deveria cingir os seus lombos, dispor-se e dizer ao povo tudo o que o Senhor lhe mandasse (Jr. 1.17). Deus dá, então, uma visão ao profeta a fim de fundamentar sua fé. Ele pergunta: “Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la”. Deus faz um jogo de palavras, pois, em hebraico, amendoeira é “saqued”, já que responde com “soqued”, que significa “velar”, dizendo, “eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jr. 1.11,12). A postura profética da igreja não se encontra nos méritos humanos, na verdade, apesar das suas limitações, ela é coluna e baluarte da verdade (I Tm. 3.15). Por isso, diante das oposições, sejam elas religiosas ou políticas, cabe a esta, a tarefa de denunciar, com amor, as práticas que se opõem à Palavra de Deus.

CONCLUSÃO
Jeremias é o profeta da Esperança e figura o papel da igreja cristã no contexto moderno. A sociedade contemporânea perdeu o norte, não sabe mais para onde está caminhando. Por desconhecer ao Deus Vivo e Verdadeiro, segue a esmo, tomada pela angústia. Mas ainda há esperança, e essa se encontra no Senhor, que se revela em Sua palavra. Somente assim “há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos” (Jó. 14.17). Cientes dessa verdade, nós, os cristãos, não podemos viver como os demais, que não têm esperança (I Ts. 2.16).

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.
autor: Pb. José Roberto A. Barbosa

fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

terça-feira, 23 de março de 2010

Subsídio da Lição 13 da Escola Dominical (Cpad)

SOLENES ADVERTÊNCIAS PASTORAIS
Texto Áureo: II Co. 13.5 - Leitura Bíblica em Classe: II Co. 12.19-21; 13.5,8-11.



Objetivo: Mostrar que uma das responsabilidades pastorais é disciplinar a igreja com amor, a fim de que esta se desenvolva espiritualmente sadia.

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, trataremos a respeito da intenção de Paulo de visitar Corinto. Para essa visita, ele ameaça tomar providências disciplinares contra aqueles que se opõem ao evangelho de Cristo. Em seguida, discorreremos sobre algumas advertências e saudações do Apóstolo para os coríntios. Ao final, meditaremos a respeito da benção apostólica, destacando seu valor para a igreja.

1. PROVIDÊNCIAS DISCIPLINARES
Paulo pretende visitar os coríntios pela terceira vez, e, como conseqüência desta, tomará as medidas disciplinares cabíveis contra aqueles que se opõem ao evangelho de Cristo (Mt. 18.16). Para tanto, apelará para as testemunhas a fim de consolidar sua reprimenda contra os falsos líderes (II Co. 13.1; Dt. 19.15; Jo. 8.17; I Tm. 5.19; Hb. 10.28; I Jo. 5.8). O Apóstolo objetiva, com este aviso, provocar mudanças no comportamento dos seus ofensores. Na carta severa, escrita por Paulo anteriormente, ele já havia dito, e agora, repete, que não os poupará quando chegar a Corinto (II Co. 12.2). Ele diz também que vai prover as provas necessárias contra aqueles que descredenciam seu ministério. Paulo assume que Cristo havia operando entre os coríntios, por meio dEle, realizados sinais que reforçavam seu apostolado (II Co. 12.3,12; Rm. 15.18,19). Aqueles que querem transformar o evangelho numa ostentação de poder, de riqueza e sabedoria, precisam saber que Cristo foi crucificado em fraqueza. Do mesmo modo, os obreiros do Senhor, ainda que fracos, viverão com Ele, pelo poder de Deus (II Co. 13.4). Consoante ao exposto, os obreiros devem avaliar se de fato estão na fé, ou se estão apenas servindo a si mesmos. Há obreiros que estão diante das igrejas, mas que não têm compromisso têm com o senhorio de Cristo. Quando forem avaliados por Deus, na eternidade, serão reprovados (II Co. 13.5). Mas Paulo sabe a quem está servindo, e tem as motivações corretas. Ele espera que os coríntios reconheçam essa verdade, pois sua posição espiritual comprova que seu apostolado é genuíno. Embora não tivesse uma aparência atrativa, como os líderes opositores, ele sabe que é aprovado pelo Senhor (II Co. 13.7). A reprovação dos falsos obreiros, contra Paulo, não estava fundamentada em critérios espirituais. Ainda hoje, quem está na verdade nada tem a temer, pois nada podemos contra a verdade, que é o evangelho, senão em favor da própria verdade (II Co. 13.8). O poder de Deus, conforme revelou o Senhor ao Apóstolo, através do espinho na carne, se manifesta na fraqueza (II Co. 12.7-10; 13.8,9). Por esse motivo, seu objetivo maior, nessa epístola, não é a destruição dos crentes, mas evitar que, em sua futura visita, fosse necessário usar de rigor, segundo a autoridade que o Senhor lhe conferiu (II Co. 13.10). Verdadeiramente, uma igreja instruída na Palavra de Deus, dá menos trabalho para o seu obreiro.

2. ADVERTÊNCIAS E SAUDAÇÕES
Paulo conclui sua Segunda Epístola aos Coríntios com uma série de exortações e saudações. A princípio, saúda aos irmãos, desejando-lhes que se alegrem no Senhor. Ao rejeitarem o falso evangelho, os crentes poderiam, então, aperfeiçoarem-se e consolarem-se, e, principalmente, viver em paz, pois o Deus de amor e paz estaria com eles (II Co. 13.11). Recomenda também que os irmãos saúdem-se uns aos outros com ósculo santo, isto é, com um beijo. Essa era (e ainda é) uma saudação comum entre os povos daquela região. O diferencial estava na qualidade desse ósculo, que não deveria ter qualquer conotação sexual, mas um tratamento de santidade (II Co. 13.12). As saudações cristãs não podem ser fingidas, por isso, mesmo “a paz do Senhor”, precisa partir do íntimo de um coração moldado pelo evangelho de Cristo. Somente assim é possível desfrutar da verdadeira paz, aquela proveniente do fruto do Espírito, prometida por Jesus, e que o mundo não conhece (Gl. 5.22; Jo.14.27). Essa paz de Deus, que excede a todo e qualquer entendimento, deva ser cultiva pelos membros da igreja do Senhor (Ef. 2.14-17; 4.3).

3. A BENÇÃO APOSTÓLICA
Para concluir a Epístola, Paulo impetra, sobre os seus leitores (ouvintes), uma benção. Essa é digna de atenção especial por causa da sua formula tríplice, aludindo, diretamente, ao Pai, o Filho e ao Espírito Santo, que são mencionados explicitamente. A graça do Senhor Jesus Cristo, isto é o favor imerecido de Deus em prol dos pecadores; o amor de Deus, o qual nos reconciliou por intermédio de Cristo a fim de que pudéssemos viver em Paz; e a comunhão do Espírito Santo, a koinonia, a participação do Espírito seja desfrutada por todos os membros, para a unidade da igreja.

CONCLUSÃO
Chegamos ao final de mais um trimestre da Escola Bíblica Dominical. A CPAD nos brindou, mais uma vez, com uma série de lições expositivas, que favorecem o estudo integral e contextualizado de um livro bíblico. No próximo trimestre, nos voltaremos para o Jeremias. A mensagem deste profeta tem muito a nos dizer nos dias de hoje, aguardamos, com temor e tremor, o início do próximo trimestre, e que o Senhor seja conosco, professores da EBD, na ministração das lições aos nossos alunos.

BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. I e II Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
KRUSE, C. II Coríntios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
fonte: www.subsidioebd.blogspot.com
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