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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Subisídio da Lição 04 da Escola Dominical (Atos)

Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Ressaltar a importância da comunhão enquanto marca caracterizadora da unidade dos discípulos de Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito da importância da comunhão na igreja de Jesus Cristo. A principio, definiremos bíblico-teologicamente o significado da palavra comunhão. Em seguida, analisaremos a comunhão dos primeiros cristãos de Jerusalém. Ao final, atentaremos para a necessidade da comunhão na igreja, enquanto marca caracterizadora da unidade.

1. COMUNHÃO, DEFINIÇÃO DO TERMO
A palavra comunhão, no grego do Novo Testamento, é koinonia. Esse termo também pode ser traduzido como participação e partilha. Em geral, se refere aos interesses mútuos entre os membros da comunidade da fé, a igreja. A comunhão cristã é descrita em At. 2.42, neste versículo, a koinonia é apresentada como um dos padrões da igreja, os cristãos permaneciam em comunhão uns com os outros. Essa comunhão, no contexto de Atos, não se refere apenas ao ato de se reunir, mas também ao de partilhar alimento e outras necessidades existenciais. Essa palavra é bastante utilizada por Paulo, 13 das 19 vezes no Novo Testamento. Ele usa o termo koinonia para se referir às coletas para suprir os crentes pobres de Jerusalém (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13). Para tanto, há a necessidade que os interesses dos outros tenham proeminência (Fp. 2.1). A palavra koinonia é usada por Paulo também para se referir à participação do cristão nos sofrimentos de Cristo (Fp. 3.10), à comunhão do Espírito (II Co. 13.13), à participação do corpo e sangue de Cristo por ocasião da Ceia do Senhor (I Co. 10.16). O apóstolo João admoeste aos cristãos para que esses tenham comunhão uns com os outros (I Jo. 1.3,7). O fundamento desta, segundo o discípulo amado, se encontra na comunhão que temos tanto com o Pai quanto com o Seu Filho, Jesus Cristo (I Jo 1.3,6).

2. A COMUNHÃO DOS CRISTÃOS DE JERUSALEM
Os primeiros cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, no partir do pão, e nas orações (At. 2.42). Lucas registra ainda que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At. 2.44,45). Essa passagem de Atos, especialmente o versículo 42, revela que a igreja primitiva: 1) estava disposta a aprender, pois perseverava na doutrina dos apóstolos, portanto, não se apartava do ensino; 2) exercitava o amor, e esse era concretizado na comunhão dos santos, partilhando voluntariamente os bens com os necessitados; 3) cultuava a Deus, partindo o pão e nas orações, tanto no templo (formalmente) quanto nas casas (informalmente) (v. 46); e 4) propagava a Palavra de Deus, e através desta, pessoas se convertiam ao evangelho de Jesus Cristo (v. 47). A respeito das contribuições aos necessitados na igreja de Jerusalém é preciso fazer alguns esclarecimentos. Primeiramente não se tratava de uma obrigatoriedade, pois ainda que alguns vendessem seus bens e os depositassem aos pés dos apóstolos, outros continuavam com suas casas, já que nelas se reunião. Essa verdade pode ser identificada na atitude hipócrita de Ananias e Safira. A esses disse Pedro: “conservando-o, porventura, não seria teu? E vendido, não estaria em teu poder?” (At. 5.4). Do contexto de Atos, extraímos o princípio da generosidade, especialmente em relação aos pobres e necessitados. A prioridade da igreja deva ser o evangelho salvador de Jesus Cristo, esse, ao contrário do que defendem certos evangélicos, inclui o cuidado com os pobres da igreja (II Co. 9.1).

3. COMUNHÃO, A MARCA DO CRISTÃO
A comunhão é uma marca caracterizadora do cristão, já que somos dependentes, tanto de Deus quanto dos irmãos. Conforme escreveu o poeta inglês John Donne, “nenhum homem é uma ilha”. A atitude de autossuficiência na igreja pode levar as pessoas a viverem distantes umas das outras, a agirem indolentemente no seio da igreja (Hb. 5.12; Rm. 12.1-3). A amargura também pode impedir o desenvolvimento da comunhão na igreja. Cristãos amargurados tratam uns aos outros com hostilidade (Hb. 12.15). Não são poucas as pessoas com orgulho ferido nas igrejas evangélicas. Por causa desse sentimento, elas têm dificuldade para estabelecer vínculos. O elitismo eclesiástico pode também ser um empecilho para a comunhão. As chamadas “panelinhas” nas igrejas, como havia em Corinto (I Co. 3.4), coloca alguns em preferência em detrimento de outros. Conforme afirmou John Wesley certa feita, nada mais anticristão do que um cristão solitário. Nos dias atuais, marcados pelas redes de relacionamentos, as pessoas precisam estar mais juntas. Não apenas nos espaços internéticos, mas também nos encontros presenciais. A frieza do monitor e do teclado do computador não substitui o abraço e o aperto de mão. A cultura ocidental nos legou o individualismo, e, infelizmente, até mesmos em determinadas igrejas, é cada um por si e o diabo contra todos. A igreja do Senhor não é uma empresa, mas uma família na qual somos irmãos, filhos do mesmo Pai, e como tais devemos nos relacionar. É na igreja que encontramos (ou pelo menos deveríamos encontrar) graça e refrigério para as nossas almas (Rm. 1.11,12).

CONCLUSÃO
A comunhão cristã é um exercício de partilha, por meio dela, transmitimos uns aos outros, a graça de Deus manifestada em Jesus Cristo. Neste Centenário, a política eclesiástica tem atrapalhado a comunhão no seio da igreja. É uma pena que não possamos celebrar juntos os cem anos da Assembléia de Deus no Brasil. As vaidades pessoais estão para além da comunhão cristã. Os líderes estão dando um péssimo exemplo, expondo a igreja ao vitupério. Que Deus desperte a Sua igreja e nos ensine, não somente neste ano, mas até a Sua volta, a colocar os interesses dos outros acima dos nossos (Fp. 2.3,4), procurando guardar a unidade do Espírito pelo vinculo da paz (Ef. 4.3).

BIBLIOGRAFIA
PEARLMAN, M. Atos: e a igreja se fez missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
STOTT, J. A mensagem de Atos. São Paulo: ABU, 2008.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Subisídio da Lição 03 da Escola Dominical

O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTES
Texto Áureo: At. 1.5 – Leitura Bíblica em Classe: At. 2.1-6, 121.4-11

Pb. José Roberto A. Barbosa
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Objetivo: Mostrar aos alunos a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais, conforme vaticinado pelos profetas, prometido por Jesus e ensinado pelos apóstolos nas Escrituras.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito do derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. A princípio, destacaremos as profecias bíblicas que apontam para esse evento. Em seguida, analisaremos a ocorrência desse derramamento em At. 2. Ao final, abordaremos o propósito desse batismo, para aquele tempo, com sua aplicação para a igreja dos dias atuais.

1. PROFECIAS DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
O derramamento do Espírito Santo foi predito várias vezes antes do seu acontecimento. O profeta Joel vaticinou a respeito do derramamento do Espírito sobre toda a carne. Essa ocorrência se concretizará plenamente no futuro, em relação a Israel, por ocasião do reinado do Messias (Jl. 2.28-32), no tocante à igreja, se concretizou no dia de pentecostes (At. 2.16-18). Isaias profetizou o derramamento do Espírito sobre a posteridade de Israel (Is. 44.3). Depois do período do silêncio profético, João Batista, já próximo à manifestação do ministério público de Jesus, disse que batizava com água, para arrependimento, mas que viria um maior do que ele, que batizaria com o Espírito Santo e com fogo (Mt. 3.11). No contexto dessa passagem, o batismo com o Espírito Santo diz respeito àqueles que crêem em Cristo, e com fogo, para os que O rejeitam como Senhor. Não podemos negar, porém, que o fogo é símbolo bíblico do Espírito Santo, pois, línguas repartidas como de fogo foram vistas por ocasião do derramamento do Espírito no dia de Pentecostes (At. 2.3). Jesus também predisse, mais que isso, prometeu enviar o Espírito Santo sobre os seus discípulos (Jô. 14.16,17). Depois de ressuscitar, disse ele: “permanecei em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder (Lc. 24.49) e “vós sereis batizados com o Espírito Santo não muito depois destes dias” (At. 1.5). Essa promessa foi ratificada em At. 1.8: “recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo”. As palavras de Jesus dizem respeito tanto ao recebimento do Espírito quanto ao Seu derramamento, experiências que ocorrem em momentos distintos.

2. O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTES
A festa judaica de Pentecostes acontecia no qüinquagésimo dia depois da Páscoa, também era denominada de Festa das Semanas, porque ocorria sete semanas depois da Páscoa. Na ocasião celebrava-se a colheita dos primeiros grãos de trigo (Ex. 23.16; 34.22; Lv. 23.15-21). Para a igreja, essa festa passou a ter um significado especial, diz respeito ao momento em que essa recebeu o poder do alto, o batismo no Espírito Santo, prometido por Jesus, para a expansão do evangelho (At. 2.1). Cento e vinte discípulos, que se encontravam reunidos no mesmo lugar, ouviram um som como de um vento, na medida em que esse encheu o cenáculo, línguas repartidas como que de fogo pousaram sobre os presentes (At. 2.2,3). E todos foram cheios do Espírito Santo, o verbo pimplemi – cheios em grego – dá idéia de uma capacitação sobrenatural para o serviço divino. Desse modo, o derramamento do Espírito Santo significa o mesmo que ser batizado no ou com o Espírito Santo ou receber o dom do Espírito (At. 1.5; 2.4; 38). Esse mesmo Espírito habilita sobrenaturalmente os discípulos a “falarem em outras línguas” (At. 2.4), isso quer dizer que eles não estudaram as línguas que falaram, ainda que, pelo contexto, inferimos que essas línguas foram reconhecidas como idiomas (At. 2.6). O falar em línguas é uma evidência física do batismo no Espírito Santo. Esse precisa ser diferenciado do dom de variedade de línguas (I Co. 12.10). Quando o crente fala em línguas, no Batismo no Espírito Santo, demonstra que experimentou o derramamento. Quanto fala em línguas, enquanto dom, edifica a si mesmo, ou, se houver quem interprete, a igreja (I Co. 14.4,13,27).

3. O PROPÓSITO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
O propósito do Batismo no Espírito Santo está explicitamente registrado em At. 1.8. Ainda que alguns teólogos associem esse derramamento a uma vida de santificação, esse, na verdade, objetiva o testemunho da morte e ressurreição de Cristo por parte de quem o experimenta. O fruto do Espírito Santo, produzido a partir de uma vida de comunhão com Deus, favorece a santificação do cristão (Gl. 5.22), o derramamento do Espírito, no entanto, visa à capacitação do cristão, com o poder do alto, a fim de que esse tenha coragem e audácia, mesmo diante de perseguições e adversidades, para falar, com intrepidez, a respeito do evangelho de Cristo. Toda igreja que pretende ser missionária, e desenvolver o ministério de testemunho de Jesus com eficácia, deve buscar o derramamento do Espírito Santo. Ao lermos o relato das experiências pentecostais do século passado, somos impactados pelas proezas que os servos de Deus foram capazes de realizar no poder do Espírito Santo. Após terem passado pela experiência desse Batismo, não mediram esforços para levar adiante a mensagem da salvação. Os diários de homens como Daniel Berg e Gunnar Vingren, a biografia de cristãos como Orlando Boyer, e de tantos outros crentes batizados no Espírito Santo, revelam o que Deus pode fazer, e ainda tem feito, com homens e mulheres cheios do Espírito. Os crentes da igreja primitiva, outrora atemorizados pelas autoridades religiosas judaicas, após experimentarem o enchimento do Espírito, passaram a anunciar o evangelho com ousadia, impulsionados pelo Espírito Santo.

CONCLUSÃO
Neste Centenário da Assembléia de Deus, precisamos continuar a propagar o evangelho pentecostal. Jesus Cristo salva, cura, batiza no Espírito Santo e leva para o céu. Devemos investir o que for possível nos meios de propagação do evangelho, favorecer a formação bíblico-teológica dos obreiros, mas não podemos prescindir da experiência marcante do Batismo no Espírito Santo, tendo o falar em língua como evidência física. Através dessa experiência, a igreja contemporânea poderá, com o mesmo vigor pentecostal da igreja primitiva, anunciar, com autoridade, que Jesus Cristo é o Senhor.

BIBLIOGRAFIA
ARINGTON, F.L., STRONSTAD, R. (eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
STOTT, J. A mensagem de Atos: até os confins da terra. São Paulo: ABU, 2008.
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