quinta-feira, 12 de maio de 2011

Subídio de lição 07 da EBD (Pentecostalismo)

OS DONS DE PODER
Texto Áureo: At. 8.6 – Leitura Bíblica: At. 8.5-8; I Co. 12.4-10.



INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, estudaremos a respeito dos dons de poder, são eles: fé, curas e maravilhas. Esses dons são fundamentais à ação evangelizadora da igreja, pois, através deles, é possível testemunhar com manifestações milagrosas sobre a morte e ressurreição de Jesus. A princípio, discorreremos sobre o dom da fé, em seguida, os de curar, e por último, o de operação de maravilhas.

1. DOM DA FÉ
O termo “pistis”, em grego, que geralmente é traduzido por fé, tem inúmeros significados, por esse motivo, faz-se necessário ter cautela na interpretação dessa palavra, e principalmente, o contexto no qual se encontra. Isso porque a fé, nas Escrituras, pode ser salvífica, enquanto condição para a salvação (Ef. 2.8,9), aspecto do fruto do Espírito, que tem a ver com fidelidade e confiança (Gl. 5.22) e enquanto dom do Espírito Santo (I Co. 12.9). A fé salvífica é manifestada no ato da conversão, quando o pecador reconhece que não há outro modo de ser salvo senão mediante Cristo. A fé fruto do Espírito é a fidelidade do cristão que, mesmo em meio às perseguições e adversidades, não desiste da caminhada, agradando a Deus em sua confiança irrestrita nEle, e que tem os heróis da fé como modelo (Hb. 11). Essa fidelidade a Deus não decorre do dom, mas da disposição para crer, depois de ouvir continuamente a Palavra de Deus (Rm. 10.17). A fé enquanto dom trata-se de uma manifestação sobrenatural, pelo Espírito Santo, que capacita o crente para a realização de milagres (I Co. 13.2). Esse dom está interligado à cura e à operação de milagres, pois, a partir da fé dada instantaneamente pelo Espírito, diante de determinadas circunstâncias, o cristão pode fazer proezas em Deus, assim como fizeram os apóstolos, em diversas ocasiões registradas em Atos, em cumprimento às palavras de Jesus (Mc. 16.15-18).

2. DONS DE CURAR
No grego, a expressão “dons de curar” se encontra no plural, “iamaton”, ressaltando, assim, a pluralidade dentro desse dom diante das diversas doenças e enfermidades. Isso quer dizer que existem crentes a quem são dados dons específicos para que sejam instrumentalizadas por Deus para curar determinadas doenças e enfermidades. Mas nem todos os membros da igreja recebem os dons de curar (I Co. 12.11,30), mesmo assim, como somente o Espírito Santo sabe a quem o dom foi concedido, compete aos crentes, indistintamente, orarem pelos enfermos, cientes que a cura é proveniente de Deus, que decide, soberanamente, se quer ou não realizá-la. Esse é um dom do Espírito Santo, não do crente, que cumpre a determinação de Jesus, que dotou os discípulos com a mesma autoridade “para curar toda sorte de doenças e enfermidades”. Os que crerem no Seu nome, disse Jesus aos discípulos, “imporão as mãos sobre os enfermos e eles serão curados (Mc. 16.18). Os dons para curar os diversos tipos de doenças e enfermidades é uma capacitação divina sobrenatural para que a igreja atue na restauração física e mental das pessoais (At. 3.6-8; 4.30). A operação dos dons de cura aponta para o futuro, a dimensão escatológica, cuja plenitude se dará na glorificação do corpo, quando, uma vez transformado, não mais passará por corrupção (I Co. 15.53,54). Os dons de curar, por sua vez, devam apontar para a dimensão integral do ser humano, não deva ser um fim em si mesmo, não pode substituir a pregação plena do evangelho de Cristo, que visa a cura da alma, do corpo e do espírito (Is. 53.4,5).

3. DOM DE OPERAÇÃO DE MARAVILHAS
Filipe, conforme escreveu Lucas em At. 8.6, pelo dom da fé, exerceu um ministério poderoso em Samaria. Nesse versículo está registrado que “as multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava”. Os sinais, semeion em grego, acompanhavam a pregação, pois as pessoas ouviam a mensagem. O dom de operação de maravilhas, “energemata dynameon” em grego, possibilita a realização de atos sobrenaturais no poder do Espírito Santo. Os milagres advindos da manifestação desse dom vão além das leis físicas conhecidas naturalmente pelos seres humanos. Basta citar, como exemplo, a atuação de Jesus sobre a natureza, que chamou a atenção dos discípulos, após acalmar a tempestade: “E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc. 4.41). A mente finita do ser humano, pautada nas leis que reconhece como naturais, é incapaz de compreender a sobrenaturalidade dos eventos divinos (I Co. 2.14). O Espírito Santo agiu, “pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas e os espíritos malignos se retiravam” (At. 19.11,12). A manifestação das maravilhas tem consonância com a pregação, “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?” (Gl. 3.5; Ef. 2.9). Sob nenhuma hipótese, as maravilhas podem substituir a mensagem de salvação do evangelho de Cristo, e esse crucificado (Mc. 16.15; I Co. 2.2).

CONCLUSÃO
A igreja de Jesus Cristo é poderosa, não pela influência política e/ou econômica que tem, mas pela atuação do Espírito Santo. Quando os discípulos quiseram saber quando Jesus estabeleceria Seu reino sobre Israel, o Senhor imediatamente respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At. 1.7). Em seguida, determinou um “mas” sobre a Sua igreja, a fim de que essa buscasse o dynamis (poder) do Espírito, a fim de testemunhar com ousadia a Seu respeito. Valorizemos, pois, também neste Centenário, os dons de poder: fé, curas e maravilhas, para que, com autoridade, continuemos prevalecendo contra os portais do inferno (Mt. 16.18).

BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Subsídio da Lição 06 da EBD (Pentecostalismo)

DONS QUE MANIFESTAM A SABEDORIA DE DEUS
Texto Áureo: I Co. 14.12 – Leitura Bíblica: At.16.16-24.

INTRODUÇÃO
Em I Co. 12.8-10, Paulo apresenta os dons espirituais que devam ser manifestados com vistas à edificação do Corpo de Cristo (I Co. 12.7). Esses dons são classificados como: dons que manifestam a sabedoria de Deus (I Co. 12.8-10); dons que manifestam o poder de Deus (I Co. 12.9,10); e dons que manifestam a mensagem de Deus (I Co. 12.10). Na aula de hoje trataremos a respeito dos dons que manifestam a sabedoria de Deus: palavra da sabedoria, palavra da ciência e discernimento de espíritos.

1. DOM DE PALAVRA DE SABEDORIA
A sabedoria deva ser um interesse para o cristão, por isso, “se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes improspera; e ser-lhe-á concedida” (Tg. 1.5). Não podemos, no entanto, esquecer que “o princípio da sabedoria é: adquire a sabedoria, sim, com tudo o que possues adquire o entendimento”. Existem diferentes tipos de sabedoria, nem todas procedem de Deus, pois “se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria, que desce lá do alto; antes é terrena, animal e diabólica. Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”. O dom da palavra da sabedoria procede do Espírito Santo de Deus, buscando a edificação da igreja, por isso ela é manifestada diante de uma situação na qual os membros da igreja precisam responder. Diante das decisões da igreja, por meio da palavra da sabedoria, é possível expressar soluções, tal como a de At. 6.3, a respeito da escolha dos diáconos. A sabedoria espiritual é um dom que precisa ser buscado pela igreja, a fim de que possamos nos tornais mais sábios nas tomadas de decisões. Na medida em que dependermos mais da sabedoria que vem alto, dada pelo Espírito Santo, seremos menos suscetíveis à sabedoria humana e satânica. A igreja de Jesus precisa voltar a valorizar a sabedoria do alto, que, inicialmente, procede da Palavra de Deus, mas que, enquanto dom espiritual, é resultante de uma dotação instantânea do Espírito Santo, a fim de encontrar saída para os problemas da igreja.

2. DOM DE PALAVRA DA CIÊNCIA
A palavra da ciência é a revelação sobrenatural de um conhecimento que não pode ser alcançado pela via natural. O conhecimento humano é resultado tanto da razão quanto da experiência, mas o conhecimento que vem de Deus transcende a lógica e as sensações. Isso porque “em parte conhecemos, e em parte profetizamos”, mas o conhecimento que provém de Deus pode ir além, um exemplo disso se encontra em II Rs. 6.12, em que o profeta Eliseu fazia saber ao rei de Israel as palavras que o rei da Síria falava na câmara de dormir. O conhecimento da revelação de Deus está baseado na Bíblia, a Palavra de Deus. Por isso, o dom espiritual da palavra da ciência não descarta o estudo bíblico, pois é por meio dela que crescemos espiritualmente, por se tratar de uma palavra inspirada pelo Espírito (II Tm. 3.16,17). O dom espiritual da palavra do conhecimento trata-se de uma mensagem verbal, inspirada pelo Espírito Santo, para a edificação, consolação e exortação da igreja, revelando sobrenaturalmente, e instantaneamente, diante de uma situação específica, um conhecimento que não poderia ser acessado pelas vias da razão ou experiência, por isso, esse dom está associado à profecia (At. 5.1-10; I Co. 14.24,25).

3. DOM DE DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS
O dom de discernimento de espírito constitui-se de extrema relevância para a igreja. O propósito central desse dom é desvelar manifestações espirituais a fim de avaliá-las se procedem de Deus. O conhecimento da Palavra de Deus nos serve bastante para esse fim, enquanto arma espiritual (Ef. 6.11,12). Recomenda-se, portanto, o exame de toda e qualquer manifestação à luz da revelação da Bíblia. O dom de discernimento de espíritos na igreja manifesta-se dentro de uma determinada situação, com vistas à elucidação de práticas distanciadas da verdade e que não podem ser facilmente identificadas por meios humanos. Esses dons que manifestam a sabedoria de Deus estão interligados, pois Pedro, depois de receber o discernimento espiritual, conhecendo que Ananias e Safara mentiam, declarou sobre ele uma palavra de julgamento (At. 5.1-5). Pela palavra escrita e pelo dom espiritual, a igreja deva estar atenta aos falsos espíritos, por isso, conforme recomenda o apóstolo João “amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus... todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do Anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem, e, presentemente já está no mundo” (I Jo. 4.1-3). Esse dom é importante dentro da igreja, em virtude da distorção do cristianismo bíblico crescente nos últimos dias (I Tm. 4.1).

CONCLUSÃO
A igreja Assembléia de Deus, no ano do seu Centenário, precisa continuar dando ênfase à manifestação dos dons espirituais. Muitas igrejas pelo Brasil já deixaram de instruir os crentes a buscá-los. O pragmatismo moderno já solapou a crença no sobrenatural em muitos arraiais ditos pentecostais. Despertemos, pois, neste célebre momento, para a busca dos dons que manifestam a sabedoria de Deus: palavra da sabedoria, palavra do conhecimento e discernimento de espíritos.

BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987

Autor:Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

terça-feira, 19 de abril de 2011

Subsídio da Lição 04 da EBD (Pentecostalismo)

ESPÍRITO SANTO – AGENTE CAPACITADOR DA OBRA DE DEUS
Texto Áureo: Lc. 24.49 – Leitura Bíblica: Lc. 24.46-49; At. 1.4-8.
INTRODUÇÃO
A igreja pode facilmente ser tentada a pensar que é capaz de desenvolver a obra de Deus pelos seus próprios esforços. Principalmente nos dias atuais em que muitas instituições religiosas deixaram de ser igrejas e se transformaram em empresas. Na aula de hoje aprenderemos sobre como não transformar a obra de Deus em uma mera instituição, e isso somente poderá ser evitado se dependermos, cada vez mais, da capacitação do Espírito Santo.

1. ESPÍRITO SANTO, O AGENTE CAPACITADOR
Os discípulos receberam de Jesus a comissão de pregar o evangelho, fazendo discípulos em todas as etnias (Mt. 28.19; Mc. 16.15). Mas para fazê-lo, eles deveriam depender do Espírito Santo, não confiar apenas na capacidade humana, por isso, o Senhor os orientou para que ficassem em Jerusalém, até que: “do alto sejais revestidos de poder” (Lc. 24.49). É o Espírito Santo quem capacita a igreja para desenvolver a obra de Deus. Conforme já destacamos em aulas anteriores, o poder do alto, que desceu sobre os discípulos, e se encontra disponível nos dias atuais para a igreja, visa o testemunho de Cristo (At. 1.8). Quando lemos os relatos dos evangelhos sobre os discípulos, percebemos o quanto esses eram frágeis, e quanto temiam as autoridades religiosas, o próprio Pedro negou a Jesus (Lc. 22.60-62). Depois de ter recebido o poder do Espírito Santo, testemunhou com ousadia perante as autoridades judaicas, afirmando que elas haviam crucificado a Jesus (At. 2.36). Como resultado do derramamento de poder do alto, os discípulos se posicionaram firmemente contra aqueles que se opunham à Palavra de Deus (At. 4.29-31). Diante das ameaças, eles sequer pensaram em recorrer às autoridades humanas, antes se reuniram para suplicar a Deus que lhes desse intrepidez para continuar pregando o evangelho de Cristo e que o Senhor confirmasse a Palavra por meio de milagres.

2. A IGREJA E A AGÊNCIA DO ESPÍRITO
A igreja primitiva era guiada pelo Espírito Santo, os discípulos sabiam que não poderiam confiar apenas neles mesmos. De modo que o livro de Atos dos Apóstolos pode muito bem ser chamado de Atos do Espírito Santo, pois, ao longo desse relato lucano, percebemos a atuação direta do Espírito sobre a igreja. Os primeiros obreiros não eram escolhidos por meio de conchavos político-eclesiásticos ou por conveniências e amizades, mas através da direção do Espírito, pois “servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado... e enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia (At. 13.2-4). As divergências na igreja também eram resolvidas através da operação do Espírito Santo. Quando a igreja se sentiu ameaçada pelas heresias dos judaizantes, sob o risco de ser fragmentada por aquela seita, os líderes da igreja se reuniram em Jerusalém, e por intermédio da Palavra e do Espírito, orientaram as igrejas gentias para que não dependessem de rituais religiosos para a salvação, mas do sacrifício de Cristo (At. 15.28). A expansão da igreja é uma obra do Espírito Santo, instrumentalizando os seus apóstolos. Em At. 16.6,7, o Espírito Santo modificou o programa de viagem de Paulo e Silas para a Ásia Menor, conduzindo-os para Macedônia e Grécia, falando a eles por meio de uma revelação, na qual um “varão macedônio” pede-lhes ajuda (At. 16.9).

3. A OBRA NA DIREÇÃO DO ESPÍRITO
O desenvolvimento da obra de Deus somente acontece com proveito espiritual se essa for capacitada pelo Espírito Santo, que é o agente da igreja. Isso não quer dizer que devemos desprezar a preparação humana, pois sabemos que o Espírito Santo usou Paulo, inclusive sua formação cultural para a expansão do evangelho. Mas não podemos achar que podemos fazer tudo sozinhos, com os nossos conhecimentos, recursos financeiros e influências políticas. Se assim pensamos, findaremos como a igreja de Laodicéia (Ap. 3.14-22), que ostentava auto-suficiência, dizia-se rica e abastada e que não precisava de coisa alguma, mas Cristo, ao avaliá-la, a identificou como “infeliz, miserável, pobre, cego e nu”. O orgulho da igreja de Laodicéia os cegou ao ponto de não enxergarem a condição espiritual na qual se encontravam. Os membros daquela igreja se achavam fortes e independentes, mas o estado real era de fraqueza, pois dependiam deles mesmos, não do poder do Espírito Santo. Uma igreja conduzida pela pelo Espírito Santo desenvolve a obra de Deus de acordo com Seu intento. Ela é como a igreja de Filadelfia (Ap. 3.7-13) que se considerava pobre, mas era rica aos olhos de Cristo, que dizia ter pouca força, mas que diante de Deus era poderosa, pois guardavam a Palavra de Cristo e não negava o Seu nome (Ap. 3.8). Uma igreja que se acha poderosa por causa da sua influência política ou rica porque detém grande patrimônio, está confiando em sua própria força, o final é sempre a ruína espiritual. Uma igreja que se acha fraca e depende de Deus, é forte, pois ela é direcionada pelo Espírito, mesmo que não tenha muitos bens, mas seja cheia de fé, abalará o mundo, e ainda que não tenha influência política, fará proezas, pois agirá sob o poder do Espírito Santo (At. 1.8).

CONCLUSÃO
A obra de Deus não é desenvolvida por meio de ativismos, na verdade, esse, na maioria das vezes, serve apenas para ocultar a ausência do poder do Espírito Santo. Uma igreja poderosa depende da agência do Espírito Santo na escolha dos líderes, na evangelização, na obra missionária e na resolução de conflitos. A igreja primitiva, impulsionada por esse poder, foi capaz de expandir o evangelho de Cristo até aos confins da terra, pois enquanto os discípulos pregavam o evangelho com ousadia, o Consolador convencia os ouvintes do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.8-11). Se assim acontecer, a igreja não estará servindo à obra, mas ao Deus que a agencia e a conduz.

BIBLIOGRAFIA
HORTON, S. M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
SOUZA, E. A. de. Nos domínios do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte:http://www.subsidioebd.blogspot.com/
Twitter: @subsidioEBD

domingo, 30 de janeiro de 2011

Subisídio da Lição 06 da Escola Dominical (Atos)

A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA NA IGREJA
Texto Áureo: Hb. 12.11 – Leitura Bíblica em Classe: At. 5.1-11
Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte:www.subsidioebd.blogspot.com
Twitter: @EBD_ADMossoro
Objetivo: Mostrar aos alunos que a essência da disciplina é o ensino e o seu objetivo é levar-nos a andar de acordo com a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

INTRODUÇÃO
Há quem defenda que a disciplina não é mais necessária na igreja dos dias atuais. O Deus que disciplina em amor, conforme revelado na Bíblia, não é mais considerado. Em contraponto a essa abordagem, estudaremos, na lição de hoje, a respeito da importância da disciplina na igreja: definição no Antigo e Novo Testamento, o caso Ananias e Safira e as condições para a disciplina na igreja.

1. A DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DISCIPLINA
No Antigo Testamento, a palavra hebraica para disciplina é musar e significa, prioritariamente, “instrução”. Isso porque na Lei Judaica a disciplina tem a ver com a instrução por meio de recompensas e punições a fim de orientar a conduta do comportamento. É nesse sentido que, em Dt. 11.2, é destacada a disciplina do Senhor. A Lei Mosaica opera por meio de um complexo sistema de punições a fim de reforçar os Mandamentos de Deus (Lv. 25.23; Dt. 4.36; Ex. 20.20). Por esse motivo, o ímpio, ou seja, aquele que não observa a Torah, odeia a disciplina (Sl. 50.17). O genuíno filho de Deus, por sua vez, ama a disciplina (Pv. 3.11), pois nesta repousa a sua vida (Pv. 5.12) e o seu próprio bem (Pv. 19.18). No Novo Testamento, a palavra grega é paidia que tanto se refere à instrução ou orientação quanto ao treinamento. Esse termo, em sentido amplo, diz respeito ao ato de “criar, educar, instruir”. O fundamento da disciplina, conforme exposta no Novo Testamento, é o amor (Hb. 12.6-11). A disciplina aplicada com ódio não passa de vingança, nada tem a ver com a disciplina de Jesus (Mt. 11.29).

2. A CONDENAÇÃO DE ANANIAS E SAFIRA
No capítulo 5 de Atos, estudamos a respeito da condenação de Deus sobre Ananias e Safira. Barnabé, um cristão recém-convertido, e de posses, vendeu tudo o que possuía e depositou aos pés dos apóstolos. Sua generosidade chamou a atenção da igreja, levando Ananias e Safira a querem imitar tal ato, a fim de serem honrados pelos irmãos. Para tanto, venderam uma propriedade e combinaram em reter parte do valor recebido. Em seguida, depositaram-no aos pés dos apóstolos, dizendo ser aquela a quantia total da venda. Através daquele ato, Satanás quis instaurar a hipocrisia no seio da igreja primitiva. Eles demonstraram, por meio dessa atitude, ser vangloriosos e cobiçosos em relação ao dinheiro (I Tm. 6.10). Eles poderiam permanecer com o dinheiro que receberam pela venda da herdade, mas não precisariam mentir, em busca de fama. Mas Pedro, pelo Espírito Santo, discerniu que aqueles corações estavam tomados pela hipocrisia: “por que encheu Satanás o teu coração?” (At. 5.3), eis a origem do pecado (Jo. 13.2; Tg. 4.7). Não se tratava de um pecado somente aos homens, pois, conforme argumentou Pedro, “Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At. 5.4). Eles foram disciplinados imediatamente, com o objetivo específico, para servir de instrução aos demais “houve um grande temor em toda a igreja e em todos os que ouviram estas coisas” (At. 5.11). Em virtude da igreja está em seus momentos iniciais, Deus antecipou o castigo de Ananias e Safira, e ainda pode fazer o mesmo nos dias atuais, ainda que, em geral, continue dando oportunidade para o arrependimento (Ap. 2.5; 3.19).

3. A DISCIPLINA NA IGREJA
Jesus declarou que a igreja, na terra, tem a responsabilidade árdua, mas necessária de disciplinar (Mt. 18.18-20), mas essa deve fazê-lo de acordo com a Palavra, em oração, na dependência do Espírito Santo, e sobretudo, em amor (I Pe. 4.8). Existem algumas falhas que podem dispensar a disciplina, a esse respeito tratam os seguintes textos: Rm. 15.1; Fp. 4.5; I Pe. 4.8). Nos casos de transgressões que não sejam passíveis de comprovação, o melhor é orar pela pessoa, confiando que Deus trabalhará na sua vida, conduzindo-a ao arrependimento (Mt. 18.16). Nos casos de ofensas pessoais, isto é, que envolvam membros da igreja, é recomendável que a pessoa ofendida busque a pessoa culpada em busca de reconciliação (Mt. 18.15). Caso a pessoa permaneça impenitente em relação ao pecado, deva-se levar à igreja, através da liderança, a fim de que o caso seja avaliado (Mt. 18.17). A pessoa que está sendo objeto da acusação deva ter amplo direito à defesa e somente ser disciplinada após a comprovação dos fatos, o que acarretará, se for o caso, em exclusão (Mt. 18.17). Nos casos de pecados públicos, a disciplina é necessária a fim de: 1) proteger a integridade da igreja (At. 20.28-31; Hb. 12.14-16); e 2) restaurar o transgressor à igreja, conduzindo-o ao arrependimento (Gl. 6.1; Tg. 5.19,20). Não saudável viver a procura de casos de pecados na igreja, mas, por outro lado, não se pode deixar de atentar para os casos dignos de disciplina (Mt. 13.28-30). A disciplina preventiva, por meio do ensino da Palavra, é a melhor maneira de evitar medidas mais amargas posteriormente (II Tm. 2.24-26; Tt. 1.9).

CONCLUSÃO
A disciplina é necessária na igreja, mas essa deva sempre ser conduzida em amor, dando aos ofensores, a ampla oportunidade de defesa, e quando identificada a culpa, este deva, se possível, ser conduzido ao arrependimento (I Co. 1.10,11; Fp. 4.2,3). Ananias e Safira receberam a punição pelos seus pecados porque se negaram a reconhecê-lo, mentiram ao Espírito Santo, e esse, verdadeiramente, é o pecado imperdoável (Mt. 12.32), a hipocrisia do pecador que não dá lugar ao arrependimento, ao convencimento do Espírito (Jo 16.8-10). No caso da igreja, a disciplina deva ser dada, ao pecador arrependido, com amor e humildade, almejando sempre sua restauração (Gl. 6.1-2).

BIBLIOGRAFIA
ELLIFF, J., WINGERD, D. Disciplina na igreja. São José dos Campos: Fiel, 2006.
PEARLMAN, M. Atos: e a igreja se fez missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Subisídio da Lição 05 da Escola Dominical (Atos)

SINAIS E MARAVILHAS NA IGREJA
Texto Áureo: Hb. 2.4 – Leitura Bíblica em Classe: At. 3.1-11

Autor: Pb. José Roberto A. Barbosa
Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/


Objetivo: Mostrar aos alunos que sinais e maravilhas são fenômenos atuais, que, como nos tempos da igreja primitiva, seguem à atividade evangelizadora, à proclamação do evangelho de Cristo.

INTRODUÇÃO
O livro de Atos está repleto de sinais e maravilhas realizados pelo Espírito Santo através da igreja. Na lição de hoje, estudaremos os significados dos termos sinais e maravilhas. Em seguida, analisaremos o milagre da Porta Formosa, registrado por Lucas em At. 3. Ao final, veremos que o mesmo Deus que realizou milagres nos tempos da Igreja Primitiva, ainda os faz nos dias de hoje.

1. SINAIS E MARAVILHAS
No Novo Testamento, a palavra sinal é semeion, e diz respeito a algo que marca ou distingue, a utilização desse termo é geralmente associada a milagres. Os sinais são vistos como uma verificação ou indicador de uma verdade. Os escribas e fariseus buscavam um sinal da parte de Jesus para que pudessem acreditar que Ele era de fato o Messias (Mt. 12.38; Mc. 16.3). João mostra que os milagres de Jesus eram sinais, demonstrando que Ele era o Messias (Jo. 2.11,18,23; 3.2; 4.48,54, 6.2,14,26,30; 7.31; 9.16; 10.41; 11.47; 12.18,37; 20.30). Em relação à igreja, os sinais demonstram que Deus está com ela, pois sinais são prometidos àqueles que crêem (Mc. 16.17,20). No livro de Atos, Lucas registra os vários sinais realizados pela igreja (At. 2.19,22,43; 4.16,22,30; 5.12; 6.8; 8.6,13; 14.3; 15.12). A palavra maravilhas, em grego, é teras, que pode significar também milagre. A utilização do termo maravilhas costuma está atrelada ao de sinais, formando um tipo de expressão idiomática “sinais e maravilhas” (Mt. 24.24; Mc. 13.22; Jo. 4.48; At. 2.19,22,43; Rm. 15.19; II Co. 12.12). Interessa destacar que o poder para realizar sinais e maravilha é sobrenatural, e pode proceder tanto de Deus quanto do Maligno (Mt. 24.24; Mc. 13.22; II Ts. 2.9). Os sinais e maravilhas na igreja servem para confirmar a autenticidade dAquele que opera por meio dela (At. 2.22).

2. O MILAGRE DA PORTA FORMOSA
Por volta das 3 da tarde, Pedro e João seguem para o templo, em um dos horários regulares de oração (Ex. 29.38-41; Nm. 28.2-8). O templo antigo tinha várias portas, uma dela se chamava Formosa. Nessa porta se encontra um homem aleijado, isso porque não era permitido que entrasse no templo. De repente, os apóstolos são interpelados por aquele pobre homem, pedindo-lhes que dessem algum dinheiro. Pedro olha fixamente para o mendigo e diz: “olha para nós” (At. 3.4). Com essa expressão, ele chama a atenção daquele homem e lhe dá alguma esperança. As palavras iniciais são desalentadoras: “não temos prata nem ouro”, isso demonstra a condição financeira dos apóstolos do Senhor no primeiro século. Por outro lado, eles têm muito mais, por isso, declaram: “em nome de Jesus Cristo”, e, ao levantar o homem pela mão e suas pernas são curadas (At. 3.6). O mendigo curado pôde, então, adentrar ao templo e a reação dos que o conheciam é de “pasmo e assombro” (At. 3.10). A igreja primitiva, na virtude do Espírito, tinha autoridade para testemunhar de Jesus Cristo. O testemunho era acompanhado de sinais e maravilhas, que, juntamente com a mensagem, atestavam à verdade do evangelho. Algumas igrejas dos dias modernos não podem mais, como Pedro e João declarar: “não temos prata e nem ouro”, por outro lado, também não podem dizer ao paralítico “levanta e anda”.

3. DEUS REALIZA SINAIS E MARAVILHAS
Alguns teólogos cessacionistas afirmam que Deus não mais realiza sinais e maravilhas nos dias de hoje. Outros não são cessacionistas, até se dizem pentecostais, mas deixaram de acreditar, na prática, que Deus ainda os faz atualmente. Os cessacionistas radicais dizem que os sinais e maravilhas (milagres) Ficaram restritos ao período apostólico. Mas essa declaração se contradiz com a Grande Comissão, na qual Jesus ordena que seus discípulos preguem o evangelho, com poder para realizar sinais e prodígios (Mt. 28.18-20; Lc. 24.47; At. 1.8). Nos tempos de Cristo, Ele concedeu autoridade, não apenas aos apóstolos, mas aos 72 discípulos para curarem os enfermos em sua missão de pregar as boas novas (Lc. 10.9,17). No livro de Atos, o próprio Ananias, que não era apóstolo, orou por Paulo, exercendo o dom de cura (At. 9.17). Filipe, o diácono, também operou muitos milagres pelo poder do Espírito (At. 7.13). Não podemos esquecer que Jesus é o mesmo (Hb. 13.8), por isso, continua realizando sinais e maravilhas, e esses apontam para o futuro, quando a natureza tiver sido libertada (Rm. 8.20-22) e o corpo glorificado (I Co. 15.51-53). A igreja não tem controle sobre os sinais e maravilhas, esses dependem da soberana vontade de Deus, que os opera de acordo com os Seus eternos desígnios (Jo. 5.1-5; 9.1-3).

CONCLUSÃO
A respeito da atuação sobrenatural dos apóstolos, diz o autor da Epístola aos Hebreus: “Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade” (Hb. 2.4). A igreja do Senhor, ciente da soberana vontade de Deus, deva continuar crendo e orando para que Deus realize sinais e maravilhas (Mt. 10.8). Mas é preciso destacar que os sinais e maravilhas não garantem a conversão dos pecadores, principalmente dos religiosos que atribuirão o sobrenatural de Deus ao poder de Satanás (Mt. 12.24-27; Mc. 3.21). Mais importante ainda é saber que os sinais e maravilhas não podem, sob qualquer hipótese, substituir o testemunho da morte vicária de Jesus Cristo, essa deva ter proeminência sobre os sinais e maravilhas (Mc. 16.14-18).

BIBLIOGRAFIA
DEERE, J. Surpreendido pelo poder do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
PEARLMAN, M. Atos: e a igreja se fez missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Subisídio da Lição 04 da Escola Dominical (Atos)

Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Ressaltar a importância da comunhão enquanto marca caracterizadora da unidade dos discípulos de Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito da importância da comunhão na igreja de Jesus Cristo. A principio, definiremos bíblico-teologicamente o significado da palavra comunhão. Em seguida, analisaremos a comunhão dos primeiros cristãos de Jerusalém. Ao final, atentaremos para a necessidade da comunhão na igreja, enquanto marca caracterizadora da unidade.

1. COMUNHÃO, DEFINIÇÃO DO TERMO
A palavra comunhão, no grego do Novo Testamento, é koinonia. Esse termo também pode ser traduzido como participação e partilha. Em geral, se refere aos interesses mútuos entre os membros da comunidade da fé, a igreja. A comunhão cristã é descrita em At. 2.42, neste versículo, a koinonia é apresentada como um dos padrões da igreja, os cristãos permaneciam em comunhão uns com os outros. Essa comunhão, no contexto de Atos, não se refere apenas ao ato de se reunir, mas também ao de partilhar alimento e outras necessidades existenciais. Essa palavra é bastante utilizada por Paulo, 13 das 19 vezes no Novo Testamento. Ele usa o termo koinonia para se referir às coletas para suprir os crentes pobres de Jerusalém (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13). Para tanto, há a necessidade que os interesses dos outros tenham proeminência (Fp. 2.1). A palavra koinonia é usada por Paulo também para se referir à participação do cristão nos sofrimentos de Cristo (Fp. 3.10), à comunhão do Espírito (II Co. 13.13), à participação do corpo e sangue de Cristo por ocasião da Ceia do Senhor (I Co. 10.16). O apóstolo João admoeste aos cristãos para que esses tenham comunhão uns com os outros (I Jo. 1.3,7). O fundamento desta, segundo o discípulo amado, se encontra na comunhão que temos tanto com o Pai quanto com o Seu Filho, Jesus Cristo (I Jo 1.3,6).

2. A COMUNHÃO DOS CRISTÃOS DE JERUSALEM
Os primeiros cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, no partir do pão, e nas orações (At. 2.42). Lucas registra ainda que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At. 2.44,45). Essa passagem de Atos, especialmente o versículo 42, revela que a igreja primitiva: 1) estava disposta a aprender, pois perseverava na doutrina dos apóstolos, portanto, não se apartava do ensino; 2) exercitava o amor, e esse era concretizado na comunhão dos santos, partilhando voluntariamente os bens com os necessitados; 3) cultuava a Deus, partindo o pão e nas orações, tanto no templo (formalmente) quanto nas casas (informalmente) (v. 46); e 4) propagava a Palavra de Deus, e através desta, pessoas se convertiam ao evangelho de Jesus Cristo (v. 47). A respeito das contribuições aos necessitados na igreja de Jerusalém é preciso fazer alguns esclarecimentos. Primeiramente não se tratava de uma obrigatoriedade, pois ainda que alguns vendessem seus bens e os depositassem aos pés dos apóstolos, outros continuavam com suas casas, já que nelas se reunião. Essa verdade pode ser identificada na atitude hipócrita de Ananias e Safira. A esses disse Pedro: “conservando-o, porventura, não seria teu? E vendido, não estaria em teu poder?” (At. 5.4). Do contexto de Atos, extraímos o princípio da generosidade, especialmente em relação aos pobres e necessitados. A prioridade da igreja deva ser o evangelho salvador de Jesus Cristo, esse, ao contrário do que defendem certos evangélicos, inclui o cuidado com os pobres da igreja (II Co. 9.1).

3. COMUNHÃO, A MARCA DO CRISTÃO
A comunhão é uma marca caracterizadora do cristão, já que somos dependentes, tanto de Deus quanto dos irmãos. Conforme escreveu o poeta inglês John Donne, “nenhum homem é uma ilha”. A atitude de autossuficiência na igreja pode levar as pessoas a viverem distantes umas das outras, a agirem indolentemente no seio da igreja (Hb. 5.12; Rm. 12.1-3). A amargura também pode impedir o desenvolvimento da comunhão na igreja. Cristãos amargurados tratam uns aos outros com hostilidade (Hb. 12.15). Não são poucas as pessoas com orgulho ferido nas igrejas evangélicas. Por causa desse sentimento, elas têm dificuldade para estabelecer vínculos. O elitismo eclesiástico pode também ser um empecilho para a comunhão. As chamadas “panelinhas” nas igrejas, como havia em Corinto (I Co. 3.4), coloca alguns em preferência em detrimento de outros. Conforme afirmou John Wesley certa feita, nada mais anticristão do que um cristão solitário. Nos dias atuais, marcados pelas redes de relacionamentos, as pessoas precisam estar mais juntas. Não apenas nos espaços internéticos, mas também nos encontros presenciais. A frieza do monitor e do teclado do computador não substitui o abraço e o aperto de mão. A cultura ocidental nos legou o individualismo, e, infelizmente, até mesmos em determinadas igrejas, é cada um por si e o diabo contra todos. A igreja do Senhor não é uma empresa, mas uma família na qual somos irmãos, filhos do mesmo Pai, e como tais devemos nos relacionar. É na igreja que encontramos (ou pelo menos deveríamos encontrar) graça e refrigério para as nossas almas (Rm. 1.11,12).

CONCLUSÃO
A comunhão cristã é um exercício de partilha, por meio dela, transmitimos uns aos outros, a graça de Deus manifestada em Jesus Cristo. Neste Centenário, a política eclesiástica tem atrapalhado a comunhão no seio da igreja. É uma pena que não possamos celebrar juntos os cem anos da Assembléia de Deus no Brasil. As vaidades pessoais estão para além da comunhão cristã. Os líderes estão dando um péssimo exemplo, expondo a igreja ao vitupério. Que Deus desperte a Sua igreja e nos ensine, não somente neste ano, mas até a Sua volta, a colocar os interesses dos outros acima dos nossos (Fp. 2.3,4), procurando guardar a unidade do Espírito pelo vinculo da paz (Ef. 4.3).

BIBLIOGRAFIA
PEARLMAN, M. Atos: e a igreja se fez missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
STOTT, J. A mensagem de Atos. São Paulo: ABU, 2008.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O Cuidado Pastoral (Parte do Capítulo 3 do Tcc)

Antonio Jamerson Côrtes
O que é cuidado pastoral? Temos pelo menos duas palavras na bíblia que se referem a esse tipo de cuidado, a primeira, oriunda do hebraico, é רעה (ra ̀ah), significa: apascentar, cuidar de, alimentar, pastorear (referindo-se ao governante, mestre, no sentido figurado), associar-se com, ser amigo de (sentido provável)[1]. A segunda palavra encontra-se no novo testamento, é ποιμαινω (poimaino), significa: apascentar, cuidar do rebanho, tomar conta das ovelhas, reger, governar, prover pasto para alimentação, nutrir, cuidar do corpo de alguém, servir o corpo, suprir o necessário para as necessidades da alma[2].

Fato interessante é que o dicionário Aurélio, em sua quinta definição, nos mostra cuidado como sendo certa “inquietação de espírito”. Segundo Leonardo Boff, a sociedade contemporânea, chamada sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, contraditoriamente, cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas.

A Internet pode conectar-nos com milhões de pessoas sem precisarmos encontrar alguém. Pode-se comprar, pagar as contas, trabalhar, pedir comida, assistir a um filme sem falar com ninguém. Para viajar, conhecer países, visitar pinacotecas não precisamos sair de casa. Tudo vem à nossa casa via on-line.[3]

Talvez possamos, a princípio, discordar de Boff em relação à comunicação – que sem sombra de dúvidas é proporcionada pela internet de maneira extraordinária – porém, se pararmos para refletir na relação com a realidade concreta, com seus cheiros, cores, frios, calores, pesos, resistências e contradições, notamos que isso cada vez mais é exibido pela imagem virtual que é somente imagem.

A Igreja virtual é um fenômeno que vem crescendo cada vez mais, hoje encontramos pessoas que não precisam sair de casa para assistir a um culto, tendo ainda a possibilidade de participar dele, através da internet. Toda essa gama de informações novas tem seus pontos positivos e negativos. Não podemos, por exemplo, fechar nossos olhos para as conversões que tem ocorrido através desses meios de comunicação em massa.

Nosso objetivo, porém, é ir além disso e trazer esse tema para o âmbito pastoral. Poderia o ministro religioso exercer todas as suas atividades de forma eficaz utilizando-se apenas dessas novas tecnologias? Leonardo Boff tem toda razão quando afirma que o mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tato e do contato humano.

Essa anti-realidade afeta a vida humana naquilo que ela possui de mais fundamental: o cuidado. Boff afirma que o cuidado é, na verdade, o suporte real da criatividade, da liberdade e da inteligência. No cuidado identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações um reto agir.

Por que tanta ênfase em uma única palavra? A resposta para tal pergunta está na figura do pastor de ovelhas. O pastor é o responsável por suas ovelhas, não no sentido de controle, mas no sentido de cuidado, é ele que precisa guiá-la, é ele que precisa alimentá-la, é ele que precisa dar amor e afeto a ela. O pastor não pode deixar que nenhum animal feroz ataque sua ovelha, pelo contrário, ele deve fortalecer a cerca, a fim de que nenhum animal selvagem entre em seu pasto.

E onde o cuidado aparece em nossa sociedade? – se pergunta Leonardo Boff, o qual logo responde – “Em algo muito vulgar, quase ridículo, mas extremamente indicativo: no tamagochi”[4].

O que é um tamagochi? É uma invenção japonesa dos inícios de 1997. Um chaveirinho eletrônico criado pela Bandai[5], com três botões abaixo da telinha de cristal, que alberga dentro de si um bichinho de estimação virtual. O bichinho tem fome, come, dorme, cresce, brinca, chora, fica doente e pode morrer. Tudo depende do cuidado que recebe ou não de seu dono ou dona. O tamagochi dá muito trabalho. Como uma criança, a todo momento deve ser cuidado; caso contrário, reclama com seu bip; se não for atendido, corre risco. E quem é tão sem coração a ponto de deixar um bichinho de estimação morrer?

O brinquedo transformou-se numa mania nesta primeira década e mudou a rotina de muitas crianças, jovens e adultos que se empenhavam em cuidar do tamagochi, dar-lhe de comer, deixá-lo descansar e fazê-lo dormir. O cuidado faz até o milagre de ressuscitá-lo, caso tenha morrido por falta de atenção e de cuidado. O chaveirinho fez tanto sucesso, que logo virou jogo virtual e anime[6], denominado “Digimon[7]”. Na mesma época era lançado outro jogo cujo nome era Pokémon[8], que posteriormente virou anime também.

Apesar de ser de outra produtora, Pokémon trazia em si a mesma formula de Digimon: Cuidar do seu bichinho de estimação e depositar todo o seu afeto e carinho nele. Muitas vezes, ao invés de controlar o bichinho, o personagem era manipulado, sendo obrigado a fazer algo por causa do seu bichinho de estimação virtual. Passados cerca de dez anos, até hoje Pokémon ainda ocupa seu espaço no mercado, tendo uma série de jogos e temporadas de anime, sendo febre mundial.

Para Boff, o cuidado pelo bichinho de estimação virtual denuncia a solidão em que vive o homem/a mulher da sociedade da comunicação nascente. Mas anuncia também que, apesar da desumanização de grande parte de nossa cultura, a essência humana não se perdeu. Ela está aí na forma do cuidado transferido para um aparelhinho eletrônico, ao invés de ser investido nas pessoas concretas à nossa volta: na vovó doente, num colega de escola deficiente físico, num menino ou menina de rua, no velhinho que vende o pão matinal, nos pobres e marginalizados de nossas cidades, enfim, nas pessoas que, mesmo caladas, seu interior clama por socorro.

A reflexão de Boff nos leva a refletir sobre nossas prioridades, analisando para o que ou quem transferimos nosso cuidado, se para a obra de Deus, ou para o jogo de RPG[9] que simula a realidade. No primeiro capítulo citamos a concepção veterotestamentária da dimensão mais concreta da vida humana, que engloba o corpo (basar), a alma (nefesh) e o espírito (ruah). Paulo nos aconselha a manter os três irrepreensíveis: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que vosso espírito, vossa alma e vosso corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23).

Se fizermos uma exegese desse texto, notaremos que a palavra utilizada é αμεμπτως (amemptos), significando: irrepreensivelmente, de tal forma que não existe razão para censura[10]. Logo percebemos que para nos mantermos irrepreensíveis, é necessário haver equilíbrio, e isso só conseguimos com uma boa administração de nosso tempo.

Nasce então outra questão: que tanto de tempo tenho doado para o entretenimento, para o mundo virtual? Domínio de tempo pressupõe domínio próprio, uma das virtudes do fruto do Espírito apresentado em Gálatas 5:22. Quando adquirirmos isso, não será difícil transferir uma parcela de nosso cuidado para os oprimidos, aqueles que precisam da sua ajuda, de conselho, que passam fome ou até pensam em se suicidar.

Sem dúvida alguma os dados acima não são um convite a deixar de jogar videogame, utilizar a internet ou assistir televisão, mas sim um alerta: o jovem que anseia tornar-se ministro de confissão religiosa precisa administrar bem seu tempo, de forma que sempre possa fazer algo produtivo para seu ministério. Ele precisa desde cedo se adaptar a essas realidades, para não ser pego de surpresa, ou fazer algo do qual se arrependa futuramente em sua caminhada ministerial.




[1] STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong: Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, p. 982.

[2] STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong: Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, p. 1607.

[3] BOFF, L. Saber Cuidar: Ética do humano – compaixão pela terra, p. 11.

[4] Ibid., p. 12.

[5] Empresa Japonesa de entretenimento.

[6] Desenho animado Japonês caracterizado por olhos grandes, geralmente oriundo de um mangá, uma espécie de desenho em quadrinhos que se lê da direita para a esquerda.

[7] Do inglês Digital Monsters, siginifianco Monstros Digitais.

[8] Do inglês Pocket Monsters, siginificando Monstros de Bolso.

[9] Do inglês Rolling Playing Game, significando Jogo de interpretação Pessoal. É um jogo com realidade virtual no qual o jogador incorpora a vida do personagem, escolhendo o que ele vai fazer. A maioria dos jogos da série Pokémon é nesse estilo.

[10] STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong: Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong, p. 1296.

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